Sharon: atentado de hoje foi patrocinado por Haia

O primeiro-ministro israelense,Ariel Sharon, declarou hoje que Israel vai prosseguir aconstrução do muro ao longo da divisa do país com a Cisjordânia,rechaçando decisão da Corte Internacional de Justiça quedeclarou a barreira ilegal e pediu a destruição de parte dela.Israel não reconhece a competência do tribunal de Haia parajulgar a questão, insistiu o chefe do governo israelense em suaprimeira reação oficial à sentença, ditada na sexta-feira. A declaração de Sharon foi feita poucas horas depois deum atentado a bomba nas proximidades de movimentado ponto deônibus em Tel-Aviv, que deixou uma soldada israelense morta epelo menos 30 feridos. Sharon disse que a decisão do tribunal representa umestímulo à violência. E classificou o atentado de Tel-Aviv como"o primeiro sob patrocínio da Corte Internacional de Justiça". Oprimeiro-ministro reiterou que a edificação da barreira é o meiomais eficaz de impedir a entrada de "terroristas palestinos" nopaís. Segundo Sharon, o incidente de Tel-Aviv comprova o acertode sua política de segurança que tem como mola mestra aedificação da barreira de concreto armado e eletrônica, de 650quilômetros. Em Bangcoc, onde participa de uma conferênciainternacional sobre aids, o secretário-geral das Nações Unidas,Kofi Annan, afirmou que Israel deveria acatar a decisão dotribunal, apesar de suas necessidades de segurança. "Concordamosem que o governo israelense tem a responsabilidade e o dever deproteger seus cidadãos, mas achamos que isso deve ser feitodentro dos limites da lei internacional", ressaltou Annan. O chefe de polícia de Tel-Aviv, Yossi Sedborn, disse quea bomba, deixada num canteiro perto do ponto de ônibus, foiacionada por controle remoto. Segundo ele, o explosivo era depotência média. Mesmo assim o impacto destruiu várias vitrinesde lojas e vidraças de prédios de apartamento das proximidades."Ouvi uma forte explosão e vi o corpo da soldada sendo lançadopara cima", comentou Hagit Cohen, morados de um dos blocos deapartamentos da região. "Pensei: ´isto é o fim do mundo´",acrescentou. O atentado, primeiro nos últimos quatro meses em Israel,foi assumido pelas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, braçoarmado da Al-Fatah - grupo liderado por Yasser Arafat,presidente da Autoridade Palestina (AP). O chefe do gabinetepalestino, Saeb Erekat, disse que a AP condena atentados contracivis, sejam eles israelenses ou palestinos. E destacou que ainsatisfação entre os palestinos está crescendo - principalmentepelos prejuízos causados a eles pela construção do muro. A propósito, a Justiça israelense determinou ao Exércitoisraelense que interrompa a construção de novo trecho dabarreira no norte da Cisjordânia e refaça seu traçado. O trechofica perto das aldeias de Dir Balut e Raafat, cujos habitantesapelaram para a corte israelense por meios de duas instituiçõesde direitos humanos israelenses. Segundo a apelação acatada pelos juízes israelenses, omuro passa por campos de cultivo palestinos, além de separarduas aldeias de seu centro administrativo de Salfit, de umcemitério e de 40 poços de água potável. Há duas semanas, amesma corte declarara injustificado o traçado do muro no nortede Jerusalém, forçando o Exército a buscar um novo traçado paranão prejudicar os 35 mil palestinos que habitam a aldeia deA-Ram.

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