Sharon diz a Powell que pode suspender confinamento de Arafat

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse hoje ao secretário de Estado americano, Colin Powell, que está disposto a suspender o confinamento de Yasser Arafat caso o líder palestino concorde em sair sozinho de seu quartel-general em Ramallah, sem vários palestinos procurados por Israel que se abrigaram no complexo. Sharon afirmou, por telefone, a Powell que Arafat poderia ir para a Faixa de Gaza ou qualquer área da Cisjordânia, relatou uma autoridade israelense, que pediu para não ser identificada. É improvável que o líder palestino concorde com os termos israelenses já que tem dito que não entregará os seis homens procurados - cinco dos quais estariam supostamente envolvidos no assassinado de um ministro do governo israelense e o sexto, em contrabando de armas. Na manhã de hoje, tropas israelenses lançaram gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra centenas de manifestantes que tentavam, em passeata, chegar a Ramallah para protestar contra o confinamento de Arafat. Num dado momento, palestinos fizeram disparos de um prédio vizinho. Tropas israelenses responderam ao fogo, e a multidão se dispersou rapidamente. Onze pessoas ficaram feridas, nenhuma por disparo. Em outro ponto sensível, a Igreja da Natividade em Belém, quatro policiais palestinos se renderam hoje a tropas israelenses, e dois palestinos dentro do complexo foram feridos por atiradores de elite do Estado judeu. Os feridos foram retirados e receberam tratamento médico, segundo militares israelenses. Apesar dos disparos, existem sinais de que o cerco das tropas israelenses a mais de 200 palestinos abrigados na igreja, juntos com vários religiosos cristãos, estava entrando em sua fase final. A disputa agora concentra-se no destino de seis palestinos procurados que estão na igreja - se eles serão escoltados até Gaza, como propõe os palestinos, ou serão enviados ao exílio, como exige Israel, informou o negociador palestino Salah Taameri que deve se reunir amanhã com Arafat para discutir o acordo. O capitão israelense Joel Leyden disse que as negociações estão abertas, mas não está descartada uma operação militar. Mais tarde, outro porta-voz militar, tenente-coronel Olivier Rafowicz, afirmou que as tropas israelenses não entrarão à força no local, onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo. Israel se recusa a retirar suas tropas de Ramallah e Belém enquanto persistirem os impasses nas duas cidades, entre as seis que o Estado judeu ocupou durante sua ofensiva militar.

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