Sharon diz a Solana que manterá cerco a Arafat

O enviado da União Européia (UE), Javier Solana, e os chanceleres da Grécia e da Turquia tentaram hoje, sem êxito, convencer Israel a restituir a liberdade de ação a Arafat, sitiado em seu quarte-general em Ramallah, enquanto oito palestinos morreram em Gaza em confrontos com soldados isralenses nas últimas 24 horas. O primeiro-ministro Ariel Sharon não modificou nem um milímetro sua imperiosa exigência de que sejam entregues a Israel os assassinos do ministro israelense do Turismo, Rehavam Zeevi, refugiados no QG de Arafat. O premier também não abrandou sua posição diante do fato de que hoje um tribunal palestino condenou os autores do crime a penas que vão de um a 18 anos de reclusão. Para Israel, esse julgamento é "uma farsa" com o objetivo de enganar a opinião pública mundial. Primeiro Solana e em seguida os chanceleres grego e turco, George Papandreou e Ismail Cem, respectivamente - estes dois últimos cumprem juntos uma "missão de paz" - estiveram com Arafat em Ramallah e com Sharon em Jerusalém. Os três diplomatas solicitaram a Sharon que revogasse o cerco ao líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Solana se disse "chocado pela situação em que se encontra Arafat, o que não facilita uma solução dos problemas". Papandreou e Cem - que talvez esperassem que a recente reconcialiação entre seus respectivos países induzisse israelenses e palestinos a seguirem o exemplo - saíram do encontro com as mãos vazias. A tentativa de encontrar uma solução para o assédio militar a que está submetido Arafat foi aparentemente infrutífero. Uma fonte diplomática israelense disse que Papandreou e Cem desenvolveram uma missão de boa vontade e que não se pode falar de uma iniciativa de paz proposta conjuntamente pelos dois países. Papandreou admitiu a profunda desconfiança existente entre israelenses e palestinos, mas acrescentou ser necessário "ir além do cinismo para construir uma verdadeira paz", baseada na criação de um Estado palestino junto a Israel. Arafat afirmou que a invasão israelense das cidades palestinas "destruiu e apagou a paz dos valentes que (eu) havia construído com meu parceiro (o ex-primeiro-ministro israelense) Yitzhak Rabin", assassinado em 1995 por um extremista judeu. Arafat rejeitou com desdém a oferta feita por Sharon, em uma entrevista ao jornal New York Times, de permitir sua transferência para Gaza - mas sem os autores do crime contra o ministro Zeevi.

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