Sharon diz que Irã é principal ameaça para Israel

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, garantiu que não pensa agora em eliminar Yasser Arafat nem atacar a Autoridade Palestina, e assinalou que o Irã é "o principal perigo" em entrevistas publicadas hoje na imprensa local. Em declarações ao diário Maariv, antecipadas em parte ontem e publicadas hoje, Sharon disse que seria um erro eliminar Arafat "porque isso causaria danos a Israel. Hoje não temos a intenção de atacar Arafat ou de abater a AP".A expulsão do líder palestino, segundo Sharon, também prejudicaria Israel. Sobre o confinamento do líder palestino em Ramallah, Cisjordânia, o premier israelense afirmou: "Com muita paciência temos mostrado seu verdadeiro rosto ao mundo inteiro. Arafat permanecerá em Ramallah até que entregue os assassinos do ministro Zeevi e os autores intelectuais (do crime) e até prender os organizadores da expedição de um barco com armas que seguia para ele", disse."O Irã representa para nós o perigo central. É um país que caminha para a obtenção de armas de destruição em massa. O presidente (George W.) Bush disse coisas claras a esse respeito", acrescentou o líder do Partido Likud. Para Sharon, a Europa também deve exercer pressões econômicas e políticas sobre Teerã. ?O Irã defende a destruição de Israel, do povo judeu e a ameaça a outros países". Provocação - A imprensa palestina classificou de "provocativas" as declarações de Sharon de que se arrependia de não ter eliminado Arafat em 1982 em Beirute quando Israel invadiu o Líbano, e destacou críticas às afirmações feitas na Europa e Estados Unidos. "O terrorismo representa hoje o perigo principal para a paz no mundo", considerou hoje Sharon ao jornal Yediot Aharonot. "A época das grandes guerras acabou. Espero que também termine a época das guerras regionais", acrescentou.Sobre a situação do processo de paz na região, Sharon afirmou: "Será um processo demorado, mas no final haverá um Estado palestino. Será desmilitarizado e dotado de uma força policial encarregada de manter a ordem pública. Estou disposto a renunciar a porções da Terra de Israel (o termo refere-se à descrição bíblica da região, n.r.)".Em relação às críticas da União Européia às suas políticas e ao renovado interesse pelos massacres de Sabra e Chatila em 1982 em Beirute, Sharon disse ao Yediot Aharonot : "Talvez os europeus desejariam que em Israel houvesse uma liderança mais covarde e de renúncia. Comigo isso não ocorrerá. Também está crescendo o anti-semitismo, o ódio contra mim é uma de suas formas". Despenca apoio a SharonO apoio ao primeiro-ministro israelense caiu sensivelmente, segundo uma pesquisa de opinião realizada pela empresa Market-Watch e publicada hoje pelo jornal Maariv. De acordo com o levantamento, apenas 48% dos israelenses estão atualmente satisfeitos com seu premier, contra os 57% de aprovação verificados na pesquisa anterior.Quando questionados sobre que caminho tomar na questão com os palestinos, 47% dos entrevistados defenderam uma aceleração dos contatos diplomáticos com seus vizinhos, enquanto que 31% consideram necessária a declaração de uma guerra contra a Autoridade Palestina.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.