Sharon e Netanyahu discordam sobre plano de paz dos EUA

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e seu novo ministro de Relações Exteriores, Benjamin Netanyahu, tiveram seu primeiro confronto, discutindo sobre uma proposta de paz apoiada pelos Estados Unidos, às vésperas da chegada de um enviado norte-americano.Num discurso proferido hoje a líderes empresariais, Sharon referiu-se à questão quando sublinhou que não irá fazer nada para pôr em risco "o profundo entendimento estratégico com os Estados Unidos e a relação especial que tem sido construída com o governo norte-americano".Assessores disseram que os dois se reuniram na noite de quarta-feira para resolver diferenças sobre política e a data das primárias do Partido Likud. O jornal Yediot Ahronot noticiou que Sharon reclamou do desdém com que Netanyahu trata o plano apoiado pelos EUA, que prevê um Estado provisório palestino no ano que vem e independência completa em 2005.O próprio Sharon tem expressado sérias reservas em relação ao plano, mas tem sido mais diplomático do que Netanyahu, dizendo que Israel irá estudar cautelosamente a proposta e apresentar sua resposta no momento apropriado.Netanyahu, por seu lado, considera que o chamado "mapa" da paz é irrelevante, enquanto estiver pendente uma ação militar dos EUA contra o Iraque.Netanyahu, que vai disputar com Sharon a presidência do Likud em primárias nas próximas semanas, foi formalmente empossado como ministro do Exterior na quarta-feira.Ele assumiu o cargo deixado vago na semana passada com a saída do Partido Trabalhista da coalizão governista, devido a um choque sobre destinação de verbas orçamentárias para assentamentos judeus na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.Sharon esperava manter a coalizão viva mesmo sem os trabalhistas, mas um partido-chave de extrema-direita, a União Nacional, recusou-se a participar sem que houvesse profundas mudanças na política do governo. Sharon recusou-se e, sem maioria, convocou eleições antecipadas para janeiro.Pesquisas mostraram nesta semana que o bloco direitista liderado pelo Likud provavelmente terá ganhos na eleição - e Sharon desfruta de uma pequena dianteira sobre Netanyahu para as primárias entre os partidários do Likud.Enquanto isso, Yuri Stern, legislador da União Nacional, disse que a direita espera que Netanyahu defenda a dissolução da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e quebre a promessa feita por Sharon ao presidente George W. Bush, de repassar impostos coletados por Israel junto aos palestinos para a ANP."Também esperamos que Netanyahu explique a nossos amigos nos Estados Unidos que toda a idéia de se criar, num futuro próximo, um Estado palestino é uma ameaça existencial ao Estado de Israel e que nenhum mapa pode levar a um bom resultado", disse Stern à Associated Press.A Embaixada dos EUA em Tel Aviv, negando notícias em contrário, disse que o enviado David Satterfield visitará a região no começo da semana que vem, a fim de promover o plano. A proposta foi endossada por Estados Unidos, Organização das Nações Unidas (ONU), Rússia e a União Européia (UE) - os componentes do chamado "Quarteto" de promotores da paz.O líder palestino Yasser Arafat disse hoje estar disposto a aceitar o plano, que terá um esboço final no mês que vem, depois que Israel, palestinos e Estados árabes apresentarem suas reservas."Existe um claro entendimento entre nós e o Quarteto de que temos de implementá-lo (o plano), diretamente, depois que for oferecido oficialmente a nós pelo Quarteto", afirmou Arafat a repórteres em seu QG na Cisjordânia.Netanyahu disse na terça-feira que Arafat deve ser expulso dos territórios palestinos, de preferência durante um eventual ataque dos EUA contra o Iraque.Numa entrevista publicada hoje no Jerusalem Post, Netanyahu afirmou que Arafat "não é um parceiro" para a paz porque seu governo "quebrou sua promessa de reconhecer o Estado de Israel e quebrou sua promessa de cessar com o terror".Ephraim Halevy, que até recentemente chefiou a agência de espionagem Mossad de Israel, vinculou o destino de Arafat ao de Saddam. Ele afirmou ao jornal Maariv que Arafat e Saddam provavelmente não mais estarão no poder dentro de um ano.

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