Sharon não quer palestinos e sírios na luta contra terrorismo

Com sua habitual falta de senso de oportunidade, o primeiro-ministro israelense, general Ariel Sharon, manifestou ao presidente norte-americano, George W. Bush, as objeções de Israel à inclusão da Síria e da Autoridade Palestina na coalizão antiterror, dada a "complacência" de ambos com o terrorismo islâmico. A conversa foi descrita pelo jornal israelense Haaretz, citando fontes americanas, como "dura e desagradável".O presidente americano aproveitou para reiterar que é do interesse dos Estados Unidos neste momento que Israel retome as negociações com os palestinos para pôr fim ao conflito, que serve de combustível ideológico para ações terroristas como a de que os americanos foram vítimas. A pressão surtiu algum efeito e Sharon, que havia proibido seu chanceler, Shimon Peres, de se reunir com o líder palestino Yasser Arafat, autorizou neste domingo o encontro, desde que, antes dele, transcorram 48 horas sem atos de violência dos palestinos contra os israelenses.Os confrontos continuaram no fim de semana, com pelo menos dois israelenses e quatro palestinos mortos.DivisãoO gabinete israelense está dividido quanto à conveniência ou não do encontro, num dilema que ilustra bem a ambigüidade das situações de Israel e dos palestinos diante das conseqüências do ataque aos EUA: a linha dura teme "legitimar" Arafat, quando o momento é de provar que ele é comparável ao chefe terrorista Osama bin Laden, como insistiu Sharon nas conversas que teve com Bush. Já Peres e outros moderados temem que a recusa em negociar isole Israel como responsável pelo impasse.

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