Sharon nega fraude e acusa "caluniadores"

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, classificou hoje de "calúnia política" com o objetivo de impedir sua reeleição a acusação de que se beneficiou de recursos fraudulentos. Os filhos de Sharon estão investigados pelo recebimento de supostos subornos. "Vou contestar essa difamação com documentos e fatos. Aqueles que estão espalhando essa calúnia política têm um objetivo: derrubar o primeiro-ministro."O país realiza eleições parlamentares no dia 28, para as quais o partido de Sharon, o Likud, é o líder nas pesquisas. No entanto, a TV israelense divulgou hoje que essa denúncia, e outro escândalo envolvendo compra de votos no Likud, fizeram a expectativa de cadeiras que o partido obterá na eleição cair de 41, há algumas semanas, para 27 - de um total de 120 no Parlamento. O Partido Trabalhista, o segundo mais cotado, subiu de 20 para 24.Na terça-feira, o diário Haaretz revelou que a polícia está investigando os dois filhos do premier israelense, Gilad e Omri, por terem recebido US$ 1,5 milhão de um empresário da África do Sul, há cerca de um ano. A quantia foi usada para cobrir gastos da campanha eleitoral de 1999. O remetente, o britânico Cyril Kern, é amigo de Sharon há mais de 50 anos.Pela legislação do país, os partidos não podem receber fundos do exterior para subsidiar campanhas. Se for indiciado, Sharon terá de deixar o cargo. No entanto, a mídia israelense apurou que nem ele e nem os filhos devem ser interrogados antes da eleição. O procurador-geral Elyakim Rubinstein confirmou hoje ter pedido ajuda à África do Sul para a investigação, mas criticou o vazamento da informação, que qualificou de "motivado politicamente".Após a revelação do jornal, o dirigente do Partido Trabalhista, Amran Mitzna, exortou Sharon a explicar-se ou renunciar ao cargo. Mitzna chamou-o de "o padrinho" (numa provável alusão ao protagonista do romance de Mario Puzo e filme de Francis Ford Coppola, ?The Godfather?, ?O Poderoso Chefão? no Brasil) e o esquerdista Partido Meretz o qualificou de "pai da corrupção".Desde que venceu as eleições para primeiro-ministro, em fevereiro de 2001, é a primeira vez que Sharon é diretamente envolvido num escândalo de corrupção. Na própria terça-feira, assessores dele negaram a irregularidade, alegando que o dinheiro era de um empréstimo.O Likud também enfrenta outro escândalo político que o fez perder pontos nas pesquisas de intenção de voto: integrantes do partido são acusados de terem subornado membros do Comitê Central para que os incluíssem na lista de candidatos nas eleições parlamentares.Em Londres, o governo britânico informou que pedirá novamente a Israel que autorize a viagem de uma delegação oficial palestina para uma conferência no dia 14, na Grã-Bretanha. Uma carta do primeiro-ministro, Tony Blair, será entregue amanhã a Ariel Sharon. O objetivo do encontro é estudar as reformas na Autoridade Palestina (AP) e propostas para a retomada do processo de paz. Israel proibiu a viagem de altos funcionários palestinos depois do atentado de domingo em Tel-Aviv.O presidente do Banco Central Europeu, Wim Duisenberg, está sendo alvo de críticas por causa da militância de sua mulher, Greta, em favor da causa palestina. Ontem ela se encontrou com o presidente da AP, Yasser Arafat, em Ramallah, e exortou o governo israelense a pôr fim à ocupação dos territórios palestinos. Ela foi criticada por Israel e por seu país, a Holanda, por usar um passaporte diplomático em sua atividade.

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