Sharon pede aos palestinos que derrubem Arafat

Às vésperas de uma visita à Casa Branca, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, pediu aos palestinos nesta segunda-feira que derrubem o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, qualificando seu governo como um "regime despótico que está induzindo vocês de fracasso a fracasso". As duras posições de Sharon contra o líder palestino ganharam o aval do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que também pediu a remoção de Arafat do poder. No entanto, em sua sétima visita à Casa Branca desde que assumiu o governo israelense, Sharon poderá se deparar com duros questionamentos por parte do governo norte-americano, que já o criticou por não atender aos pedidos para que amenize as rígidas restrições e os duros toques de recolher impostos a centenas de milhares de palestinos. Ao cair da noite desta segunda-feira, dois palestinos foram assassinados por soldados israelenses, informaram fontes ligadas ao setor de segurança. Sob condição de anonimato, as fontes comentaram que os dois mortos pertenciam ao movimento fundamentalista Jihad Islâmica. O Exército de Israel ainda não se manifestou sobre o episódio. Sharon, que deverá partir esta noite para reunir-se com Bush na quarta-feira, defende que suas medidas de segurança são essenciais para evitar, ou pelo menos limitar, a ação de militantes palestinos. "O terrível sofrimento de vocês não tem necessidade", disse Sharon, dirigindo-se aos palestinos em um discurso para abrir a sessão de inverno (boreal) do Parlamento israelense, também conhecido como Knesset. Sharon disse que "gangues terroristas assassinas" tomaram os territórios palestinos encorajadas e apoiadas por Arafat. "Mudem o regime despótico que está levando vocês de fracasso a fracasso, de tragédia a tragédia." O líder israelense disse ser favorável ao exílio de Arafat e enviou seus soldados para cercar o dirigente palestino três vezes apenas este ano. Mas Sharon não o expulsou dos territórios palestinos devido à forte pressão dos Estados Unidos e dos serviços israelenses de segurança, que o aconselharam para que não o fizesse. As ações militares israelenses contra o líder palestino fizeram apenas com que sua popularidade crescesse entre seu povo pelo menos no curto prazo. Os palestinos pretendem realizar eleições em janeiro, mas a ocupação das cidades palestinas por Israel põe em risco a realização do pleito. Até o momento não surgiu nenhum desafiante sério capaz de derrotar Arafat nas urnas, que desde dezembro do ano passado raramente sai de seu destroçado quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia. Os palestinos não confiam em Sharon e funcionários da ANP criticaram duramente as declarações do líder israelense em favor da derrubada de Arafat. "Até onde se sabe, o povo palestino não precisa ouvir os conselhos de sharon, mas sim fugir de suas balas e bombas", disse o negociador palestino Saeb Erekat. Durante o fim de semana, o embaixador dos EUA em Israel, Daniel Kurtzer, enviou uma carta a Sharon na qual lhe pede que adote diversas medidas capazes de amenizar o sofrimento imposto aos palestinos, revelou uma fonte diplomática. Entre as medidas solicitadas pelo governo norte-americano estão a retirada militar de pelo menos uma das seis cidades da Cisjordânia ocupadas pelas forças israelenses, o alívio das restrições ao direito de ir e vir dos palestinos e a liberação de centenas de milhões de dólares em impostos pagos pelos palestinos e que deveriam ser repassados à ANP, mas foram retidos pelo Estado judeu durante os mais de dois anos de conflito. A carta também manifestava a preocupação de Washington com relação ao excessivo número de mortes entre os civis palestinos nas operações militares de Israel. Apesar disso, uma fonte diplomática ocidental comentou não esperar que Sharon seja pressionado a adotar uma iniciativa diplomática mais abrangente.

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