Sharon pedirá a Bush para que isole mais Arafat

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, partiu nesta quarta-feira para a quarta visita à Casa Branca em um ano, com a esperança de conseguir que os Estados Unidos ajudem a isolar ainda mais o líder palestino Yasser Arafat e contenham o que Israel vê como tentativas do Irã de desestabilizar o Oriente Médio.Nesta quinta-feira, Sharon se encontra em Washington com o presidente George W. Bush, que tem criticado Arafat por não fazer o suficiente para conter militantes palestinos.Em entrevistas na semana passada, Sharon afirmou que planeja pedir a Bush que suspenda todos os contatos com Arafat - uma decisão que provaria a visão no mundo árabe de que os Estados Unidos estão do lado de Israel.Arafat e seus assessores reclamam da tendenciosidade dos EUA e afirmam que Bush está encorajando uma escalada militar de Israel contra os palestinos ao convidar Sharon pela quarta fez em um ano, enquanto o atual presidente norte-americano ainda não recebeu Arafat."Espero que o presidente Bush dê continuidade ao que seu pai iniciou", disse hoje Arafat, referindo-se à conferência de Madri de 1991 que lançou o processo de paz do Oriente Médio. Toda essa agressão israelense é uma mensagem aos americanos", afirmou Arafat em seus escritórios em Ramallah, na Cisjordânia, onde vem sendo confinado por tanques de Israel há dois meses. "O que eles (os americanos) dizem sobre tais agressões contra o povo palestino e esse sufocante cerco a nossas vilas e cidades? Eles (os israelenses) estão tentando quebrar os palestinos, mas isso nunca vai ocorrer".Autoridades palestinas afirmaram que Washington está retomando esforços de mediação apesar de duas fracassadas missões de trégua em dezembro e janeiro. O chefe da CIA, George Tenet, desembarcará na região no começo da semana que vem a fim de tentar conseguir um cessar-fogo, acrescentaram.Em Washington, um funcionário do Departamento de Estado, que pediu para não ser identificado, disse que Tenet viajará ao Oriente Médio como parte de suas obrigações regulares e não tentará negociar uma trégua.Os palestinos entregaram esta semana aos Estados Unidos um relato por escrito dos esforços para acabarem com 16 meses de violência. Num documento de 17 páginas, obtido pela Associated Press, a Autoridade Palestina afirma ter prendido 195 militantes, fechado 79 suspeitas instituições de caridade, bloqueado 56 contas bancárias, fechado 15 fábricas ilegais de munição e reprimido clérigos militantes em mesquitas nas sete semanas desde que Arafat declarou um cessar-fogo."A AP continua comprometida em negociar pacificamente o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos", é dito no documento. Autoridades de Israel afirmaram que não viram mudanças reais no campo.O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, que já se encontra nos EUA, disse que não considera Arafat um parceiro para negociações. Ele pediu a autoridades dos EUA para isolarem Arafat e conversar no lugar com outros representantes palestinos. "Não acho que exista qualquer forma de continuar trabalhando com Arafat enquanto ele se coloque na posição de se comprometer com o passado e não com o futuro", afirmou Ben-Eliezer.Hoje no Egito, o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, após se reunir com o presidente Hosni Mubarak, afirmou que "o presidente Arafat é o líder eleito da Autoridade Palestina e nós continuamos a trabalhar com a Autoridade Palestina".Autoridades americanas e israelenses afirmaram que o encontro Bush-Sharon, pedido pelo presidente, visa a coordenação de estratégias. "Penso que o presidente quer ouvir Sharon", disse Paul Patin, porta-voz da embaixada dos EUA em Tel Aviv.Um assessor de Sharon, Raanan Gissin, disse que Israel também pedirá ações dos EUA contra o que vê como uma ameaça cada vez maior por parte do Irã. "O que Israel deseja é uma atividade intensiva contra o terror iraniano", disse ele. "Os tentáculos do Irã, deslizando pela Síria e o Líbano, têm poder para desestabilizar não apenas nossos assuntos, mas também terão um efeito em nível internacional".Israel acusa o Irã de fornecer milhares de mísseis ao grupo Hezbollah, de tentar recrutar árabes israelenses para atacar os compatriotas judeus, de tentar contrabandear armas através de um navio para a Autoridade Palestina e de desenvolver secretamente armas nucleares.Ben-Eliezer afirmou também ter solicitado a oficiais norte-americanos para que ele seja notificado sobre qualquer futuro ataque ao Iraque. "Se o Iraque for atacado, nós (Israel) seremos os primeiros alvos", disse ele à Rádio Israel.

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