Sharon precisa da direita para se manter no governo

Ariel Sharon precisa dos legisladores mais direitistas - incluindo aqueles que se opõem a qualquer negociação com os palestinos e querem anexar Cisjordânia e Faixa de Gaza - para montar uma coalizão que lhe permita manter-se no poder. A crise política israelense colocou os holofotes sobre o ultranacionalista União Nacional - Beitenu Israelense, que, com seus sete legisladores, parece ser a única facção capaz de restaurar a maioria parlamentar de Sharon.Sharon tornou-se líder de um governo minoritário na quarta-feira, quando o Partido Trabalhista abandonou a coalizão devido a uma disputa sobre a destinação de verbas para assentamentos judaicos. Ele controla agora apenas 55 das 120 cadeiras do Parlamento. Sharon tem dito que não convocará eleições antecipadas, e terá agora de atrair novos parceiros para a coalizão. As novas eleições estão marcadas para novembro de 2003.A União Nacional se opõe a qualquer negociação com os palestinos e quer que sejam anulados os acordos de paz provisórios, já assinados. Seus legisladores são defensores incondicionais da expansão dos assentamentos judaicos e querem anexar terras que os palestinos reivindicam para um futuro Estado.A facção é contrária à criação de um Estado palestino, algo que Sharon se resignou a aceitar e os Estados Unidos apóiam. Alguns membros da União Nacional defendem a expulsão de todos os palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza e outros querem limitar os direitos políticos dos cidadãos árabes de Israel.Benny Elon, um legislador da União Nacional, disse que autoridades do partido irão se reunir nos próximos dias com Sharon para ver se o primeiro-ministro muda a plataforma de governo e abandona as posições mais moderadas dos trabalhistas."Queremos ver se ele deseja agora usar este ano para ter uma política clara", como tomar medidas ainda mais duras contra os palestinos, afirmou Elon à Associated Press.O líder da facção, Avigdor Lieberman, disse há vários dias que preferia eleições antecipadas a unir-se a uma coalizão pequena, mas Elon explicou que a decisão cabe a todo o partido. Segundo ele, Lieberman parece ter amenizado sua oposição à entrada no governo, depois da saída dos trabalhistas. "Acho que temos de nos unir a um governo direitista", opinou.Arnon Perlman, um assessor de Sharon, afirmou que o governo não contatou oficialmente a União Nacional para negociar sua entrada na coalizão. Mas a Rádio de Israel divulgou que o contato já foi feito.Reuven Hazan, um cientista político da Universidade Hebraica de Jerusalém, avaliou que Sharon terá de fazer concessões à União Nacional se quiser que ela participe do governo.A inclusão da facção tornaria mais difícil para Sharon aceitar um novo plano em etapas apoiado pelos EUA, que prevê o estabelecimento de um Estado palestino em 2005."Com o Partido Trabalhista fora, o plano já está em dúvida. Com a União Nacional dentro, seria um grande problema", disse Hazan. "Sharon terá de manobrar entre a União Nacional e os Estados Unidos".

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