Sharon tem pronto discurso de vitória para amanhã

Com as pesquisas de opinião indicando vitória de seu partido, o direitista Likud, nas eleições parlamentares de amanhã, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de 74 anos, aproveitou o dia de hoje para "preparar o discurso de vitória", segundo assessores. No texto ele fará um chamamento ao principal partido oposicionista, o Trabalhista, de centro-esquerda, para voltar a integrar o governo de unidade nacional.Sharon fez um último comício na cidade nortista de Haifa, cujo prefeito, o líder trabalhista Amram Mitzna, de 57 anos, seu principal rival na disputa, anunciou há duas semanas que nãointegrará um gabinete sob a liderança dele.As últimas sondagens de intenção de voto publicadas pelo diário Yediot Ahoronot indicam que o Likud fará 33 ou 34 cadeiras - 14 a mais do que na eleição anterior, de 1999 - enquanto o Partido Trabalhista, até então o principal no Parlamento (Knesset) -, ficará com 18 ou 19 (na atual legislatura, tem 25). Na terceira posição surge o Shinui, com um plataforma antiortodoxos, que deve obter pelo menos 16 cadeiras. O Shinui possui atualmente apenas 6.Pesquisas de outros dois diários israelenses, o Haaretz e oMaariv, praticamente coincidem com as do Ahoronot. Em dezembro, a previsão era de que o Likud faria 40 cadeiras. No entanto, escândalos de corrupção envolvendo o partido e os filhos de Sharon reduziram sua popularidade.O bloco da direita, extrema direita e dos partidos religiosos deve conquistar a maioria das 120 cadeiras da Knesset - 64 ou 65 estimam as pesquisas -, o que garantirá a Sharon o apoio necessário para formar uma coalizão de governo. Entretanto, oprimeiro-ministro não quer ficar nas mãos da extrema direita edos religiosos, razão pela qual se concentrará nos próximos diasem reaproximar-se dos trabalhistas.A posição de Mitzna - contrária ao ingresso no governo ? não tem o apoio de políticos importantes no trabalhismo, entre os quais Binyamin Ben-Eliezer, que até outubro foi ministro de Defesa no governo de Sharon. Ele deixou o cargo depois de os trabalhistas terem rompido a coalizão, o que precipitou a convocação antecipada das eleições parlamentares. Se confirmadas as pesquisas, a derrota trabalhista de hoje será a pior na história do partido e pode ter como conseqüência a convocação de uma convenção partidária para a escolha de novo líder.Sharon foi eleito em fevereiro de 2000 com a promessa de trazer segurança para os israelenses, mas na sua gestão o conflito com os palestinos atingiu um dos piores níveis desde que Israel ocupou em 1967 os territórios da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Mesmo assim, ele conseguiu impor à população sua visão de que não deve haver negociações com a Autoridade Palestina (AP) enquanto houver atos de terrorismo. Mitzna propõe a retomada da conversações com os palestinos e defende a saída unilateral das tropas israelenses da Faixa de Gaza, bem como a remoção de alguns assentamentos judaicos da Cisjordânia.Assessores de Sharon indicaram que ele poderá, em seu discurso de amanhã, expressar apoio à proposta de paz esboçada pelochamado Quarteto (Rússia, ONU, União Européia e EUA), a qualprevê reformas na AP e a criação de um Estado palestino provisório. Sharon já disse antes que poderia concordar com o Estado, mas essa posição enfrenta resistência em seu partido ede aliados ultranacionalistas.Estão habilitados a votar 4,7 milhões de uma população de cerca de 6,5 milhões. Serão preenchidas todas as 120 cadeiras da Knesset. A Comissão Eleitoral Central aceitou a candidatura de27 partidos, dos quais pelo menos 15 devem eleger representantes. Cerca de 1,2 milhão de israelenses são árabes, que representam 13% do eleitorado.

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