Sharon terá problemas para formar governo

Escolhido em uma nítida vitória nas eleições gerais, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon propôs nesta quarta-feira um governo de unidade nacional contra "a fúria homicida" de militantes palestinos, mas seus esforços para formar um governo de ampla coalizão possivelmente podem ser frustrados pelo derrotado Partido Trabalhista. Sharon poderia ver-se obrigado a formar uma aliança com partidos ultranacionalistas que desejam bloquear qualquer iniciativa de paz dos EUA, e exigem maior repressão contra ospalestinos. A televisão disse que em conversa informal com os jornalistas Sharon declarou que preferia ter de convocar novas eleições antes de liderar semelhante coalizão.Antes de iniciar a fatigante tarefa de formar uma aliança de governo viável, Sharon desfrutou da vitória durante algumas horas. Ele é o primeiro político, desde o fundador do país, David Ben-Gurion, que consegue convocar eleições antecipadas e ganhá-las. A façanha foi realizada anteriormente por Ben-Gurion em 1961. O partido Likud de Sharon duplicou sua força, de 19 para 37, no Parlamento de 120 cadeiras. O principal rival político do Likud, o Partido Trabalhista, teve a pior eleição desde a criação do Estado judeu, perdendo sete assentos; agora tem 19. Em seu discurso de vitória, Sharon disse que tentará criar uma coalizão de ampla base que inclua o derrotado Partido Trabalhista. Mas não mencionou nominalmente o trabalhismo nem ofereceu incentivos políticos que pudessem convencer os líderes desse partido a se retratarem de sua promessa de campanha de não integrar um governo encabeçado por Sharon. O primeiro-ministro disse que convocará "todos os partidos sionistas a formar um governo amplo de unidade nacional" com as mesmas metas de sua coalizão anterior. "Esse plano pode levar Israel à vitória contra o terrorismo e abrir um verdadeira caminho para a paz", disse Sharon. Previamente, no discurso em que reconheceu sua derrota, o candidato trabalhista Amran Mitzna descartou a idéia do governo de unidade e disse que lutaria contra Sharon da bancada da oposição. "Sharon espera que o Partido Trabalhista seja novamente o anteparo de suas políticas fracassadas, mas não é nossa intenção nos unirmos a ele", declarou Mitzna a seus deprimidos seguidores na sede do Partido Trabalhista em Tel-Aviv. No entanto, outros dirigentes trabalhistas disseram que uma oferta atraente de Sharon não deixaria de ser levada em conta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.