Shevardnadze sai e deputada é nova líder da Georgia

O presidente da Geórgia, Eduard Shevardnadze, pressionado por três semanas de manifestações contra as fraudes nas eleições parlamentares do dia 2, anunciou neste domingo a sua renúncia, pondo fim ao um governo de 12 anos. Segundo a agência russa Ria-Novosti, Shevardnadze abandonou Tbilisi a bordo do avião presidencial com destino desconhecido. O governo alemão havia indicado que Shevardnadze seria bem recebido em Berlim. A presidente do antigo Parlamento, Nino Burdzhanadze, assumirá a presidência provisoriamente.Shevardnadze anunciou pessoalmente a renúncia depois de se reunir com o líder da oposição, Mikhail Saakashvili, e com o ministro russo de Relações Exteriores, Igor Ivanov. "Percebi que poderia haver um derramamento de sangue se eu exercesse meus direitos", disse Shevardnadze, de 75 anos, em rede de TV. "Eu nunca traí meu povo e decidi que deveria renunciar."O anúncio da renúncia provocou euforia entre as dezenas de milhares de manifestantes da oposição que estavam reunidos diante do prédio do Parlamento. Eles cercaram a sede do Legislativo no sábado, forçando Shevardnadze a abandonar o prédio, quando tentava inaugurar a primeira sessão do novo Parlamento, eleito nas contestadas eleições do dia 2. "O presidente realizou um ato de coragem", disse Saakashvili à TV. "Com sua renúncia, ele evitou um derramamento de sangue no país. A história o julgará bondosamente."Saakashvili prometeu garantir a segurança do ex-líder georgiano e de sua família. A oposição anunciou que as eleições parlamentares serão realizadas em 45 dias, mas não informou quando ocorrerão as eleições presidenciais. Segundo a Constituição da Geórgia, em caso de renúncia ou morte do chefe de Estado o presidente do Parlamento assume o cargo.

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