Shimon Peres pode deixar governo israelense

Israel cancelou hoje as conversações com Yasser Arafat sobre uma trégua bilateral e demandou ao presidente palestino que conclua totalmente o cessar-fogo anunciado na semana passada. O ministro do gabinete palestino, Yasser Abed Rabbo, classificou a decisão de "irresponsável" e se queixou do fato de que os palestinos nem sequer foram informados oficialmente da decisão israelense. No entanto, outros funcionários palestinos, que pediram para não serem identificados, informaram, sem dar maiores detalhes, que Arafat e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, se reunirão hoje. O porta-voz do primeiro-ministro Ariel Sharon, Raanan Guissin, afirmou que "algo de espetacular teria que ocorrer da parte de Arafat" para que o encontro ocorresse hoje. O escritório de Peres se recusou a emitir qualquer comentário.Há informações de que o chanceler, arquiteto do processo de paz, não compareceu à sessão de hoje do gabinete israelense em protesto à posição do governo, e meios de comunicação israelenses informaram que Peres pretende retirar o seu Partido Trabalhista do governo de unidade de Sharon.O gabinete está dividido sobre se Arafat cumpriu a promessa que fez na semana passada de tentar deter a violência, que em um ano já resultou na morte de mais de 800 pessoas, a grande maioria de palestinos. O secretário de gabinete, Guideon Saar, disse que Sharon sentiu que uma reunião de alto nível com Arafat não seria apropriada agora porque a violência palestina continua e, portanto, "a reunião legitimaria certos tipos de terrorismo". Saar disse também que os palestinos prenderam e libertaram em seguida Atef Abayyat, um líder da milícia Tanzim, sobre a qual recaiu a responsabilidade do tiroteio no qual uma mulher judia morreu ontem na frente de seus filhos.O porta-voz Guissin disse que Israel exige agora a prisão de Abayyat, assim como outras medidas significativas contra a violência, antes de que se realize qualquer reunião entre os dois líderes. Saar afirmou que a violência continua, no entanto com menor intensidade, e que Israel exige um cessar-fogo total. Desde os atentados em Nova York e Washington, no último dia 11, os Estados Unidos vêm pressionando ambas as partes para que solucionem seu conflito, já que desejam formar uma coalizão contra o terrorismo internacional. O ministro palestino do Planejamento, Nabil Shaath, disse que agora os israelenses devem explicar "por que estão desperdiçando uma oportunidade atrás da outra de regressar ao caminho da paz".

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