Shinzo Abe mostra ideal nacionalista no Parlamento japonês

Shinzo Abe, primeiro-ministro japonês, estreou nesta terça-feira no Parlamento com um discurso no qual deixou clara sua posição conservadora e nacionalista com a qual pretende criar um "novo Japão", um país de mais peso no mundo.Em seu primeiro comparecimento na Câmara dos Deputados, Abe disse querer mudar a Constituição para que seu país possa ter um papel militar mais relevante junto aos Estados Unidos, assim como para reformar a educação, a fim de valorizar o patriotismo e reacender as "virtudes da tradição japonesa"."Estou preparado para tomar a liderança e dedicar meu coração e minha alma para fazer do Japão um país bonito, onde a geração de nossos filhos se sinta segura e orgulhosa de si mesma, e para que as pessoas do mundo o admirem e respeitem", disse o primeiro-ministro.O premier, de 52 anos, que tomou posse na terça-feira, 26, deseja também reparar as relações diplomáticas com a China e com a Coréia do Sul, além de reconstruir as finanças públicas com cortes drásticos nos gastos, evitando, assim, o aumento de impostos.Para atingir todos estes objetivos, Abe quer dar mais poder ao escritório do primeiro-ministro para que ele ganhe uma importância parecida à imagem da Casa Branca em Washington."Que (este escritório) se transforme em uma torre de controle com uma liderança política forte e capaz de tomar decisões rápidas sobre questões diplomáticas e sobre a segurança nacional", afirmou o dirigente, que defende também a simplificação da confusa burocraciaJaponesa. AliançaAbe quer reforçar a aliança estratégica do Japão com os EUA, com uma maior presença de suas tropas em missões de paz e na defesa coletiva. Para isso, no entanto, ele precisaria alterar a Constituição.Segundo o artigo 9 da Carta Magna, "redigida há quase 60 anos, quando o Japão estava ocupado" (pelos EUA, após a Segunda Guerra Mundial), Tóquio não pode participar de qualquer guerra, assim como não pode ter um Exército ou usar a força para resolver disputas internacionais."Vou estudar minuciosamente os casos concretos nos quais o uso da defesa coletiva, proibida pela Constituição, é aplicável", disse o primeiro-ministro.No entanto, Abe evitou dar detalhes sobre quais seriam as mudanças e também não mencionou os cinco anos de prazo prometidos para a reforma em sua campanha, devido, talvez, às observações que o Novo Komeito, partido da coalizão governista, fez diante do possível reforço da capacidade militar do país.O primeiro-ministro mais jovem do Japão no período pós-guerra tentará resolver o problema diplomático trazido por seu antecessor, Junichiro Koizumi, com suas visitas ao santuário de Yasukuni, onde são homenageados criminosos de guerra japoneses."Fortalecer a confiança mútua com a China e com a Coréia do Sul seria muito significativo para a região asiática e para o resto do mundo. Acho que é importante para todas as partes se esforçarem para que tenham conversas eficazes e francas", afirmou Abe, determinado a se reunir com os presidentes dos dois países o mais rápido possível.Coréia do NorteSobre a Coréia do Norte, o premier mantém uma atitude firme. Ele disse que "não haverá normalização dos laços diplomáticos" enquanto o regime comunista de Pyongyang não resolver o assunto sobre os seqüestros de cidadãos japoneses realizados durante a Guerra Fria.Apelidado de "o príncipe", devido a seu comportamento considerado elegante, mas chamado de "falcão" devido a seus princípios conservadores, Abe fez um discurso com características essencialmente nacionalistas.Segundo a agência Kyodo, o primeiro-ministro repetiu o termo "bonito país" oito vezes e, em 12 ocasiões, falou sobre o "novo Japão", sobre "a nova era" e sobre "a construção de uma nova nação".Abe quer reformar a educação para que ela transmita um patriotismo maior e, assim, eduque os cidadãos "com uma visão de futuro".Os princípios nacionalistas de Shinzo Abe são vistos com receio nos países vizinhos ao Japão, especialmente na China e na Coréia do Sul,onde permanece na memória a lembrança das atrocidades cometidas pelo Exército imperial durante a etapa colonizadora japonesa, naprimeira metade do século passado.

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