Shinzo Abe pressiona BC a adotar meta para inflação

O primeiro-ministro eleito do Japão, Shinzo Abe, alertou explicitamente neste domingo para que o banco central do país estabeleça uma meta de inflação de 2%, ameaçando rever a lei que rege a autoridade monetária se isso não for feito.

AE, Agência Estado

23 de dezembro de 2012 | 13h34

Durante uma participação em um programa de televisão, Abe disse que espera que o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) analise a possibilidade de adotar a meta de inflação na sua reunião de janeiro. Se isso não acontecer, o governo terá de forçar a instituição a fazê-lo por meio de uma revisão na legislação.

"A deflação é um fenômeno monetário, então é necessário que o BoJ trabalhe de maneira diferente da suas práticas convencionais de afrouxamento. Nós queremos que o BC estabeleça uma meta de inflação", disse Abe.

Os comentários foram feitos após o presidente do BoJ, Masaaki Shirakawa, prometer na semana passada rever o objetivo do BC de uma inflação de 1%. Esse "objetivo" de médio prazo foi estabelecido em fevereiro deste ano, podendo chegar a 2% no longo prazo. Mas o BoJ não utiliza a expressão "meta", já que isso poderia sugerir que a política monetária seria conduzida automaticamente para atingir esse patamar de inflação.

Mas Shirakawa também disse recentemente que estabelecer uma meta de inflação maior é "irrealista", já que a inflação anual no Japão registrou uma média de 1,3% até mesmo durante o período de forte crescimento econômico entre o fim da década de 1980 e o início dos anos 1990.

Na entrevista concedida neste domingo Abe também disse que o BoJ deveria ter um mandado para promover a geração de emprego, assim como acontece com o Federal Reserve, nos EUA. O premiê eleito afirmou ainda que o Fed e o Banco Central Europeu (BCE) estão adotando medidas para desvalorizar suas moedas e que o BoJ precisa adotar agir para compensar essa tendência.

"Nós precisamos combater ações de outros bancos centrais para desvalorizar suas moedas e impulsionar as exportações, por meio da impressão de dinheiro. Sem ações do BoJ, o iene vai continuar subindo", comentou Abe.

Em relação ao próximo presidente do BoJ, já que o mandato de Shirakawa termina em abril do ano que vem, Abe disse que planeja indicar alguém que implemente ações ousadas de relaxamento monetário. "Nós queremos uma pessoa que apoie nosso pensamento e planejamos pedir a cooperação de outras partes", afirmou, lembrando que seu partido não tem maioria na Câmara Alta do Parlamento.

Segundo a legislação japonesa, o primeiro-ministro nomeia o governador do BoJ, mas para esse indicado ser efetivado é preciso a aprovação das duas Câmaras do Parlamento. As informações são da Dow Jones.

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