Angelo Carconi/EFE
Angelo Carconi/EFE

Shinzo Abe se torna terceiro premiê a governar o Japão por mais tempo desde o pós-guerra

Primeiro ministro tem causado polêmica ao dar mais força para o Exército japonês e a reinterpretar a constituição pacifista do país

O Estado de S.Paulo

27 Maio 2017 | 02h25

TÓQUIO -O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, soma neste sábado, 27, 1.980 dias à frente do Japão e iguala a marca de Junichiro Koizumi como terceiro líder com mais dias à frente do Executivo do país asiático desde o pós-guerra.

O número soma todos os mandatos de Abe, desde o primeiro entre 2006 e 2007 - encerrado com a renúncia do líder por motivos de saúde - até o segundo, iniciado em dezembro de 2012 e a sua reeleição em 2014 após as eleições antecipadas.

Estava previsto que o político conservador de 62 anos terminasse a sua presidência no Partido Liberal Democrata (PLD) em setembro de 2018, mas a legenda aprovou em março estender de dois para três os mandatos seguidos possíveis para um líder à frente do partido. Isto permite que Abe concorra a um terceiro mandato seguido no PLD e que tente se reeleger para governar o país até 2021.

Se for reeleito como presidente do PLD e continuar no cargo até novembro de 2019, Abe se tornaria o premiê com mais tempo no cargo na história de Japão, fato agora ostentado por Katsura Taro, que governou durante 2.886 dias no começo do século XX.

O premiê japonês mais duradouro desde o pós-guerra é Eisaku Sato (1964-1972) com 2.798 dias, seguido por Shigeru Yoshida (1946-1947, 1948-1948) com 2.616 dias. Junichiro Koizumi ostentava até agora o terceiro lugar após governar entre 2001 e 2006.

Ainda que a lei eleitoral japonesa não limite o número de mandatos do premiê, a liderança interna de cada partido é tem seus próprios estatutos.

Shinzo Abe tinha centrado sua política na revitalização econômica do país com o objetivo de acabar com duas décadas de deflação através do seu pacote de reformas, conhecido como "Abenomics". Recentemente, enfatizou sua intenção de reformar a Constituição pacifista nipônica aprovada após a Segunda Guerra Mundial.

Nos seus anos de governo, Abe lutou por uma reinterpretação da Carta Magna e por uma polêmica reforma militar que fortalece a presença no exterior do Exército japonês.

No início de maio, Abe disse que era o momento adequado para "dar um passo histórico" e modificar a constituição que entrou em vigor em 3 de maio de 1947. 

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