Siam liderava linha dura do Hamas

Ministro do Interior morto arquitetou expulsão do rival Fatah da Faixa de Gaza e fundou a polícia do grupo

Gustavo Chacra, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

Em ataque aéreo ontem no centro da Cidade de Gaza, Israel matou Said Siam, ministro do Interior do Hamas, considerado o número 3 do grupo. Fontes militares israelenses confirmaram que Siam é o mais graduado membro da organização islâmica assassinado nos 20 dias de ofensiva na Faixa de Gaza. Na ação, teriam sido mortos ainda o chefe do aparato de segurança do Hamas em Gaza, Salah Abu Shreh, o comandante militar Mahmud Watfah e o irmão de Siam, dono da casa atingida. O grupo, porém, confirmou apenas a morte do ministro por meio de sua emissora de TV, a Al-Aqsa.Nos quadros do Hamas, Siam estava apenas abaixo dos líderes políticos Ismail Hanyieh, ex-premiê palestino, e Mahmud Zahar, ex-chanceler. O número 3, considerado um dos mais radicais dentro do Hamas, serviria como ligação entre as alas política e militar do grupo e entre seus representantes em Gaza e na Síria. Siam fundou a polícia do Hamas e foi o principal arquiteto da expulsão do rival Fatah da Faixa de Gaza, em 2007. Segundo analistas, o assassinato do líder tem por objetivo projetar uma imagem vitoriosa de Israel na ofensiva contra o Hamas momentos antes de uma trégua. Siam era uma pessoa-chave na logística militar do Hamas e também tinha importância política, provocando uma dura perda dentro da organização palestina.Imagens de seu corpo foram exibidas nas TVs locais e o Hamas prometeu vingar a morte de seu líder. "O sangue de Said Siam será a maldição da entidade sionista", disse Mohammed Nazzal para a rede de TV Al-Jazira. A informação de que Siam estava na casa do irmão foi obtida pelo Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel. Israel considera todos os membros do Hamas como alvos legítimos. Até mesmo o líder supremo e criador da organização, xeque Ahmed Yassin, foi assassinado por Israel, em 2004. No passado, Siam disse em entrevista que chegará o dia "em que nenhum palestino será preso por sua filiação política ou porque resiste à ocupação. Ao contrário, um novo regime do Hamas coordenará melhor as ações palestinas contra o Estado judeu".

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