Siamesas separadas viram heroínas na Guatemala

Sobreviver a uma operação de 23 horas que separou seus crânios transformou em heroínas as irmãs siamesas María Teresa e María de Jesús QuiejAlvarez, cujo caso é visto pelos guatemaltecos como um verdadeiro milagre.Dezenas de pessoas, entre as quais o pai e a mãe das meninas, Wenseslao Quiej e Alba Leticia Alvarez, o médico que as separou, Jorge Lazareff, e as enfermeiras que as atenderam assistiram auma missa na catedral guatemalteca em agradecimento à recuperação das gêmeas."Dou graças a Deus pelo milagre de minhas filhas... embora seja necessária muita tecnologia (para a operação), a mão de Deus fazia falta e Ele impôs sua mão", expressou no final damissa o pai das meninas de 17 meses, um camponês que se dedicava a cortar e empacotar bananas nas fazendas do sul da Guatemala.Minutos antes, o sacerdote Manuel Chilín, em nome do arcebispo metropolitano, Rodolfo Quezada, se havia dirigido aos fiéis para agradecer "o milagre de amor" que tornou possível a recuperação das gêmeas, através da solidariedade e das preces, e lembrou que "é preciso lutar pela vida".Após escutar as palavras do sacerdote, o casal Quiej Alvarez caminhou até a estátua de Cristo Negro, cuja festa se comemora a cada 15 de janeiro na mesma catedral, e rezou porvários minutos. O neurocirurgião Lazareff, que os olhava a pouca distância, foi presenteado com um rosário por uma mulher humilde, que, em seguida, deixou o templo por uma entrada lateral.As meninas não estavam presentes à cerimônia religiosa, já que continuam sob observação médica em um hospital da Cidade da Guatemala, no qual permanecerão internadas durante algumassemanas antes de poderem ir para casa pela primeira vez.As siamesas nasceram em 25 de julho de 2001 em umapequena clínica de Mazatenango, a cerca de 150 quilômetros da capital e perto da aldeia de Belén, terra de seus pais. Em 7 de junho de 2002, foram levadas a um hospital deLos Angeles, nos EUA, onde um mês depois foram submetidas - com êxito - a uma cirurgia para separá-las.Ambas sobreviveram e voltaram à Guatemala nasegunda-feira passada. Agora, os guatemaltecos acreditam que elas são um exemplo para o país centro-americano que se debate na pobreza, subdesenvolvimento e onde 59 em cada mil criançasmorrem antes de completar cinco anos.

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