Sicília elege político gay de centro-esquerda governador

A região autônoma da Sicília elegeu um governador de uma frente de partidos de centro-esquerda, Rosario Crocetta, que será o primeiro governador de esquerda a comandar a conservadora ilha em mais de uma década. A vitória de Crocetta, que também é gay assumido, mostrou a crescente insatisfação dos italianos com os políticos conservadores. O partido individualmente mais votado, contudo, foi o Cinque Stelle (Cinco Estrelas), fundado pelo comediante italiano Beppe Grillo. Crocetta, apoiado por partidos de esquerda e católicos, obteve 31% dos votos, enquanto o candidato da centro-direita, Sebastiano "Nello" Musumeci, obteve 25% dos sufráfios. Musumeci liderou uma coalizão que inclui o partido Povo da Liberdade (PDL), do ex-premiê Silvio Berlusconi, que está perdendo popularidade. O Cinco Estrelas obteve 18% dos votos. A contagem não havia terminado na noite desta segunda-feira, com os votos de 4.282 das 5.308 sessões apurados.

AE, Agência Estado

29 de outubro de 2012 | 19h38

"Esta é uma Sicília que quer mudar", disse Crocetta em entrevista à televisão, enquanto uma multidão em Palermo, capital siciliana, gritava "presidente, presidente" (governador).

As eleições regionais na Sicília são vistas como um barômetro do que poderá ocorrer nas eleições gerais italianas em 2013.

Outra surpresa na Sicília foi que o partido fundado pelo comediante Grillo, o Cinque Stelle, ficou em terceiro lugar, com seu candidato Giancarlo Cancelleri obtendo 18,8% dos votos. Em quarto lugar aparecia o partido separatista Grande Sud, com 15% dos votos. "Esse é um resultado extraordinário, que me faz imaginar que o partido das Cinco Estrelas poderá virar um partido majoritário nas eleições italianas de 2013", disse Alessandro Campo, professor de política na Universidade de Perugia.

Apenas 47,4% dos 4,4 milhões de eleitores sicilianos foram às urnas no domingo eleger o governador e o Parlamento local de 90 cadeiras, nas mais alta taxa de abstenção das eleições regionais. Nas eleições de 2008, 66,68% dos eleitores votaram.

Crocetta terá que fazer alianças para governar a ilha - sua coalizão deve eleger 40 dos 90 deputados da Sala d''Ercole, o parlamento local.

Embora a coligação de Musumeci tenha obtido 25% dos votos, o PDL de Berlusconi e seu herdeiro político, o senador siciliano Angelino Alfano, obteve apenas 12% dos votos nas eleições sicilianas, muito abaixo dos 38% conquistados em 2008. O PDL era então o partido majoritário na Sicília. Berlusconi disse na semana passada que não concorrerá em 2013. Nesta segunda-feira, Alfano reafirmou seus planos de concorrer nas primárias nacionais do PDL, em 16 de dezembro. "Precisamos falar para os nossos eleitores que não foram votar", disse Alfano, referindo-se à alta abstenção na Sicília.

Crocetta, ex-prefeito de Gela, na Sicília central, é o primeiro político da ilha e da Itália inteira a se declarar gay. Ameaçado de morte pela Cosa Nostra, a máfia local, ele combateu a extorsão e o crime organizado quando governou Gela. No final de setembro, Crocetta conseguiu montar uma frente de partidos de centro-esquerda para tomar o poder na Sicília, após o governador Raffaele Lombardo ter renunciado, acusado de ter ligações com a Cosa Nostra e ter afundado as finanças públicas da ilha.

Nesta segunda-feira, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating dos bônus sicilianos, de BBB+ para BBB, apenas dois graus acima do grau de investimento. O governo regional tem um déficit de 5% no orçamento e um rombo estimado em 5 bilhões de euros. A taxa de desemprego na Sicília é de 20% da força de trabalho, o dobro da média nacional italiana.

As informações são da Agência Ansa e da Dow Jones.

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