Sicília: parcial indica vitória da centro-esquerda

Com metade das urnas contadas na Sicília, Rosario Crocetta, candidato da frente de centro-esquerda formada pelo Partido Democrático, União Democrata Cristã e Partido Socialista Italiano, liderava a disputa para ser o governador da região autônoma italiana, informou a agência Ansa na tarde desta segunda-feira. A Sicília tem um rombo de pelo menos 5 bilhões de euros no orçamento e a expectativa é que, se confirmada a apuração parcial, Crocetta deva pedir ajuda financeira ao governo de Roma.

ANDRÉ LACHINI (AE), Agência Estado

29 de outubro de 2012 | 15h33

Crocetta tinha 30,6% dos votos, enquanto o candidato da coalizão de direita, Nello Musomeci, estava com 24,7%. A surpresa na Sicília foi que o partido fundado pelo comediante italiano Beppe Grillo, o Cinque Stelle (cinco estrelas) estava em terceiro lugar e seu candidato Giancarlo Cancelleri ficou com 18,8% dos votos. Em quarto lugar aparecia o partido separatista Grande Sud, com 15% dos votos.

A eleição regional na Sicília é vista como um barômetro do que acontecerá nas eleições gerais de 2013 na Itália, quando o tecnocrata Mario Monti deverá deixar o cargo de primeiro-ministro. O ex-premiê Silvio Berlusconi, condenado na semana passada por evasão fiscal, disse que não concorrerá em 2013, mas ameaçou tirar o apoio ao governo Monti.

Apenas 47,4% dos 4,4 milhões de eleitores sicilianos foram às urnas no domingo eleger o governador e o Parlamento local de 90 cadeiras, nas mais alta taxa de abstenção das eleições regionais. Nas eleições de 2008, 66,68% dos eleitores votaram.

Confirmada a eleição de Crocetta, o político terá que fazer alianças para governar a ilha - sua coalizão deve eleger 40 dos 90 deputados da Sala d''Ercole, o parlamento local.

Crocetta, ex-prefeito de Gela, na Sicília central, é o primeiro político da ilha e da Itália inteira a se declarar gay. Ameaçado de morte pela Cosa Nostra, a máfia local, ele combateu a extorsão e o crime organizado quando governou Gela. No final de setembro, Crocetta conseguiu montar uma frente de partidos de centro-esquerda para tomar o poder na Sicília, após o governador Raffaele Lombardo ter renunciado, acusado de ter ligações com a Costa Nostra e ter afundado as finanças públicas da ilha.

As informações são da Agência Ansa e da Dow Jones.

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