EFE/EPA/Daniel Dal Zennaro
EFE/EPA/Daniel Dal Zennaro

Significado da palavra 'parente' cria confusão na reabertura da Itália

Abrangência do termo 'congiunti', usado pelo primeiro-ministro para definir quem poderia se reencontrar após flexibilização da quarentena, gerou dúvida entre italianos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2020 | 10h45

A Itália deu o primeiro passo para sua reabertura pós-confinamento nesta segunda-feira, 4. Após adotar regras de isolamento social extremamente rígidas para conter a epidemia do novo coronavírus, o país ensaia uma volta à normalidade, flexibilizando a circulação de pessoas nas cidades. O sucesso da retorno, contudo, vai passar pelo entendimento do significado da palavra "parente" para os italianos.

Ao preparar-se para diminuir as restrições no mês passado, o primeiro-ministro Giuseppe Conte, que não é conhecido pela precisão em sua fala, disse que os italianos podem visitar seus "congiunti", uma palavra que pode ser traduzida como parente, mas também tem um significado mais amplo. As coisas ficaram mais confusas quando ele disse que significava uma pessoa com quem se mantém uma relação "estável de afeto".

Um debate semântico nacional se seguiu e, no último fim de semana, horas antes do fim do bloqueio, o governo tentou resolver o problema: apenas amigos ficaram de fora da lista.

Cônjuges, parceiros em união civil e pessoas que moram juntas, mas se viram separados durante o confinamento, puderam se ver novamente. Mas o mesmo poderia acontecer com pessoas com uma "conexão afetuosa estável". Além disso, as leis italianas de privacidade significam que a polícia não pode forçar ninguém a revelar a identidade do objeto ou destino de seu afeto. Apesar da confusão, muitos italianos esperam que as coisas sejam muito diferentes no país a partir de hoje.

Donatella Mugnano, advogada de 45 anos, estava sentada em uma pequena praça ao lado do Coliseu de Roma no sábado, assistindo a filha brincar com os amigos. Ela disse que se sentiu "serena" em fazer isso, porque conhecia bem a outra família e confiava que eles haviam seguido as restrições.

"As pessoas mal podem esperar para sair", disse ela, acrescentando que já no fim de semana "há muito mais pessoas na rua". A advogada ainda disse que, durante o confinamento, as pessoas se entreolharam como se todos na rua fossem "um inimigo".

Mas ela também temia que os italianos se aproveitassem da liberdade que lhes era atribuída e agissem de maneira a desencadear outro lockdown. "Existe uma tendência a questionar todas as regras, a dizer que isso é mal explicado e, portanto, não há necessidade de segui-las", disse. E completou: "Acabou, já chega."/ NYT

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