Silêncio do rei irrita comissão que investiga repressão no Nepal

O rei Gyanendra do Nepal não respondeu ao questionário enviado na semana passada por uma Comissão especial sobre seu papel na repressão à revolta popular de abril, informou o órgão."Enviamos uma lista de perguntas escritas ao rei sobre seu papel e sua responsabilidade, como o então chefe de Governo, que deveriam ser respondidas até quarta-feira à tarde, mas não recebemos nada até agora", disse Harihar Birahi, um dos membros da Comissão.O grupo de alto nível investiga as atrocidades ocorridas durante os 19 dias de revolta popular contra o absolutismo do rei, nas quais 21 pessoas morreram e milhares ficaram feridas. A Comissão enviou as perguntas no dia 11, dando um prazo para as respostas até quarta-feira à tarde."Como o rei Gyanendra não respondeu, parece que foi o responsável pela suspensão das liberdades", acusou Birahi."Ainda estamos investigando e nossas conclusões vão se basear nas provas que recolhermos com os outros interrogados. Demos ao rei a oportunidade de limpar seu nome", acrescentou.A Comissão especial deve entregar o seu relatório ao governo em 27 de outubro. Até agora, foram interrogadas 280 pessoas, entre elas ministros do governo real, generais do Exército, chefes policiais e funcionários. Foi a primeira vez que uma Comissão enviou um questionário ao rei do Nepal.Em fevereiro de 2005, o monarca nepalês tinha assumido o poder absoluto argumentando a piora da situação de segurança por causa da revolta maoísta, mas foi incapaz de controlar a violência.Atualmente, a aliança de sete partidos governante no Nepal está em conversações com a guerrilha maoísta para tentar acabar com uma década de insurgência.

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