Silêncio paira sobre a Grã-Bretanha um ano após ataques

O silêncio pairou sobre a Grã-Bretanha nesta sexta-feira durante os atos em homenagem às vítimas dos atentados terroristas ao transporte público de Londres de 7 de julho de 2005. O ataque - o mais sangrento contra o país desde a Segunda Guerra Mundial - deixou 52 pessoas mortas e mais de 700 feridas. O primeiro-ministro Tony Blair, sobreviventes dos ataques e cidadãos londrinos abaixaram suas cabeças durante os dois minutos de silêncio nacional, que pôde ser observado das quadras de tênis de Wimbledon à Escócia. Em Londres, o momento de introspecção foi pontuado pelas baladas dos sinos da Catedral de St. Paul.Parentes das vítimas e cidadãos comuns depositaram flores e velas nos locais em que as quatro bombas explodiram, transformando-os em verdadeiros santuários. Refletindo a sensação generalizada de que Londres se transformou após as explosões, um pequeno bilhete podia ser lido em um dos locais: "Nós nunca esqueceremos."Participando das homenagens na sede do corpo de bombeiros, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu união e solidariedade aos parentes das vítimas. "É uma chance para que toda a nação se una para oferecer conforto e apoio para aqueles que perderam seus entes queridos ou se feriram neste dia terrível", disse ele.Velas, flores e fotosAs primeiras homenagens começaram às 8h50 (3h50 horário de Brasília), horário em que, há um ano exato, as bombas começara a ser detonadas. Flores foram deixadas na estação de Aldgate, o local da primeira explosão, que deixou sete pessoas mortas. Velas também foram acessas em Edgware Road, onde o segundo atentado aconteceu minutos depois, deixando 6 pessoas mortas, e entre as estações de Russell Square e King´s Cross, local da terceira explosão, que deixou 26 mortos. O prefeito de Londres, Ken Livingstone, e a secretária de Cultura do governo Britânico, Tessa Jowell, participaram dos atos em King´s Cross, onde deixaram flores e permaneceram em silêncio em um pequeno jardim ao lado da estação.Uma das imagens mais chocantes dos ataques de 7 de julho foi a da quarta explosão, que deixou 13 pessoas mortas e destroçou o ônibus Nº 30 próximo à Tavistock Square."Eu me lembro exatamente o que estava fazendo neste horário no ano passado. Tudo estava normal e, de repente, não estava mais. As pessoas levavam suas rotinas normalmente quando de repente as bombas estavam explodindo", disse a Angelina Alcorn, de 26 anos, uma enfermeira que ajudou a cuidar de muitos dos feridos. "Eu nunca esquecerei a imagem daquele ônibus. Ela está presa em minha mente."O motorista do ônibus também participou das homenagens, deixando uma grande coroa de flores no local da explosão. No cartão deixado por ele, lia-se: "Vocês nunca serão esquecidos. Descansem em Paz. George Psaradakis, motorista do ônibus Nº 30".Placas em homenagem aos mortos foram inauguradas em cada uma das estações afetadas pelos ataques. Mas parte dos cidadãos estavam atônitos com a divulgação de um vídeo com os quatro suicidas na véspera do aniversário dos atentados. "O que vocês presenciaram foi apenas o começo de uma série de ataques que irão continuar e crescer em força", disse Shehzad Tanweer, de 22 anos, que detonou uma das bombas.Terence Clark, que estava na estação King´s Cross para relembrar seus dois primos que morreram em um dos ataques na linha Piccadilly, estava inconformado com a divulgação do vídeo. "Por que tiveram que mostrar o vídeo na noite passada?", ele perguntou. "Por que não nos deixam em paz? Nós perdemos nossos entes queridos e estamos servindo uma sentença perpétua."No subúrbio multiétnicoOs quatro terroristas - Tanweer, Mohammed Sidique Khan, de 30 anos, Hasib Hussain,de 18, e o jamaicano convertido ao islamismo Germaine Lindsay, de 19 - cresceram na região de Leeds, uma área com grande variedade étnica localizada a 320 quilômetros a norte de Londres.Moradores desta comunidade pediram que a imprensa deixasse a região, enquanto outros disseram que Leeds ainda está tentando se reerguer. Desde os ataques, muçulmanos reclamam estarem sendo discriminados por suas aparências e religião. "Depois do 11 de Setembro, eu chorei quase todos os dias quando as pessoas recusavam entrar em meu carro porque sou paquistanês", disse Idris Raja, um taxista que vive na Inglaterra há 41 anos. "Com os ataques do ano passado, as pessoas fizeram o mesmo. Estamos sendo julgados por termos um padrão de vida diferente.

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