Silêncio provoca especulações sobre saúde de Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi submetido a uma cirurgia em Cuba há duas semanas e, desde então, não falou em público. Sendo um dos líderes mais falantes do mundo, seu silêncio tem provocado especulações a respeito de suas condições de saúde. Representantes do governo disseram repetidas vezes que Chávez se recupera bem em Havana e seu irmão, Adán Chávez, disse que ele deixará Cuba em até 12 dias.

AE, Agência Estado

25 de junho de 2011 | 14h25

Os venezuelanos estão acostumados a aparições na televisão e discursos praticamente diários do presidente, eventos que podem durar várias horas, mesmo quando Chávez viaja ao exterior. Mas desde uma conversa por telefone com a televisão estatal venezuelana em 12 de junho ele se mantém recluso. Na ocasião Chávez disse que estava se recuperando rapidamente de uma cirurgia realizada dois dias antes para a retirada de um abscesso pélvico. Ele, que completa 57 anos em julho, afirmou que exames mostraram que não há sinais de quaisquer doenças malignas.

No dia 17 de junho, o governo cubano divulgou fotos do presidente venezuelano no hospital, acompanhado de Fidel Castro e do presidente de Cuba, Raul Castro. Antes da cirurgia na região pélvica, um machucado no joelho forçou Chávez a adiar uma viagem ao Brasil, Equador e Cuba. O ministro de Relações Exteriores, Nicolas Maduro, disse à televisão estatal que mantém comunicação constante com o presidente, que está sendo informado de todos os acontecimentos no país. Ele não falou sobre o estado de saúde de Chávez.

A escassez de informações tem alimentado um fluxo de especulações dos mais diversos tipos sobre as condições do presidente. Algumas pessoas suspeitam Chávez tenha sido diagnosticado com alguma doença grave, como câncer de próstata ou de cólon, enquanto outras afirmam que ele teria sofrido uma infecção após uma cirurgia de lipoaspiração. "Em resposta a todos os rumores, posso testemunhar que o presidente se recupera de forma satisfatória", disse à TV estatal Adán Chávez, irmão mais velho do presidente. Ele disse não saber quando Hugo Chávez voltará para casa, mas disse que o presidente deve sair de Cuba dentro de 10 a 12 dias.

Tais comentários pouco fizeram para acalmar a consternação de partidários de Chávez ou

apaziguar os críticos do governo, que acusam as autoridades de tentar enganar os venezuelanos. "Temo que sua condição seja pior do que eles querem nos fazer acreditar, mas confio em Deus, o presidente não está em perigo", disse Magalis Gonzalez, um vendedor de rua que estava entre cerca de cem partidários de Chávez que participaram de uma oração pela recuperação presidente, no centro de Caracas.

Opositores do presidente criticam a escassez de detalhes sobre a saúde de Chávez e se dizem preocupados com a possibilidade de ele não estar apto para continuar suas funções como presidente. Em um editorial publicado na quinta-feira (23), o jornal de oposição El Nacional reclamou que "ministros incompetentes estão transformando isso em um completo mistério ou um segredo de Estado, que criam incerteza e ansiedade dentro da população". Ninguém entende porque "o estado de saúde do presidente está sendo ocultado", diz o editorial.

Autoridades dizem que Chávez passou por uma cirurgia em 10 de junho para a retirada de um abscesso pélvico. Nem Chávez, nem médicos que cuidavam dele teriam revelado o que causou o abscesso.

Demetrios Braddock, professor de patologia na Escola de Medicina da Universidade de New Haven, em Yale, Connecticut, explicou que uma cirurgia de abscesso pélvico geralmente não é difícil, embora complicações possam surgir se médicos descobrirem uma doença digestiva, como a diverticulite. "Qualquer coisa pode estar acontecendo (com a saúde de Chávez)", disse Braddock, em entrevista à Associated Press, por telefone. "É impossível saber com certeza sem estar familiarizado com este caso em particular."

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