John Moore/Getty Images/AFP
John Moore/Getty Images/AFP

Símbolo da crise migratória nos EUA, menina hondurenha está presa com a mãe 

Yanela, de apenas 2 anos, foi fotografada chorando enquanto a mãe era revistada na fronteira do México com os EUA 

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2018 | 21h46

O pai da pequena hondurenha fotografada chorando enquanto a mãe era revistada na fronteira do México com os EUA, cuja imagem tornou-se símbolo das famílias separadas pela administração Trump, afirmou em entrevista ao canal Univision que a menina, chamada Yanela, e sua mulher, Sandra, estão bem e juntas em um abrigo no Texas. 

A imagem foi escolhida pelos editores da revista Time para ilustrar a edição de 2 de julho. A capa, divulgada nesta quinta-feira, 21, traz uma montagem da menina de frente para o presidente Donald Trump, que a observa, de pé. Ao lado, está a frase: “Bem-vindo à América”. 

O hondurenho Javier Varela Hernandez, de 32 anos, contou à Univision que não conversou com elas, mas foi informado de que as duas estão sob custódia no Texas. “Meu coração ficou partido porque é a minha menininha”, disse ele. 

“Claro que eu chorei (quando viu a foto), é realmente duro. Posso imaginar que minha mulher foi muito corajosa ao cruzar a fronteira porque foi uma decisão que ela tomou.” 

Hernandez contou ter tentado convencer a mulher a não fazer a jornada. Mas, como relatou ao DailyMail.com, ela teria dito a ele repetidas vezes que queria ir para os EUA buscar um “futuro melhor” e tentar encontrar emprego. Segundo o marido, Sandra deixou Honduras sem avisar a ele ou a qualquer outro parente. 

“Eu não apoiei isso. Eu pergunte a ela por quê? Por que ela quis fazer nossa garotinha passar por isso?”, contou ele ao site DailyMail, explicando que as duas viajaram no dia 6 e, desde então, não teve notícia delas até ver a foto. 

“Nunca tive a chance de dizer adeus para minha filha e tudo o que eu posso fazer agora é esperar”, disse ele acrescentando que espera que elas agora ou ganhem o asilo ou sejam mandadas de volta para casa. 

“Não tenho nenhum ressentimento da minha mulher, mas acho que foi uma irresponsabilidade dela levar nossa bebê em seus braços, porque não sabemos o que pode acontecer.” 

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O casal tem outras três crianças, um menino, Wesly, de 14, e as meninas Cindy, de 11, e Brianna, de 6. 

Hernandez explicou que amigos disseram a ele que sua mulher pagou US$ 6 mil para um coiote ajudá-la a atravessar a fronteira com a menina. “É difícil encontrar trabalho aqui e por isso muitas pessoas escolhem ir embora. Mas graças a Deus eu consegui. E eu nunca arriscaria minha vida para fazer essa jornada.” 

Com pouco mais de 8 milhões de habitantes, Honduras é um dos países mais violentos do mundo e cerca de 65% da população vive abaixo da linha da pobreza. 

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