Símbolo do militarismo japonês impede entendimento com Seul

O governo da Coréia do Sul anunciou nesta quarta-feira que não vai aceitar a realização de novas reuniões de cúpula com o Japão até que as autoridades japonesas se comprometam a cancelar definitivamente as visitas ao santuário de Yasukuni, identificado em Seul como símbolo do militarismo japonês. O primeiro-secretário para a Unificação, Relações Exteriores e Segurança Nacional, Seo Joo-Seok, assessor do presidente Roh Moo-Hyun, ressaltou que não haverá reunião com o futuro chefe degoverno do Japão se ele seguir os passos do atual primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, e visitar Yasukuni. Koizumi desafiou na terça-feira a crítica interna e os países vizinhos que condenam suas visitas. Ele foi mais uma vez homenagear os mortos em combate que são venerados em Yasukuni, santuárioxintoísta de Tóquio considerado emblema do nacionalismo militarista japonês. O primeiro-ministro japonês afirmou que pretendia cumprir a promessa que fez em abril de 2001, ao assumir seu cargo. Ele disse que visitaria Yasukuni no aniversário do fim da II GuerraMundial no Pacífico, em 15 de agosto de 1945. Koizumi deve deixar o poder em setembro, quando abandonará a presidência do Partido Liberal Democrata (PLD). "Quem quer que seja o próximo primeiro-ministro do Japão, esperamos que mostre com suas ações que o país está realizando osesforços necessários para ganhar a confiança da comunidade internacional", disse Joo-Seok. No ano passado, em protesto à visita de Koizumi a Yasukuni, em outubro, o presidente Roh suspendeu uma cúpula com o chefe de governo japonês. Mas se reuniu com ele durante o encontro do Fórumde Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), em Pusan, já que a Coréia do Sul era a anfitriã. Na última terça-feira, o governo sul-coreano expressou sua profunda insatisfação pela nova visita de Koizumi a Yasukuni, no aniversáriodo fim da ocupação japonesa à península de Coréia. Coréia do Sul e outros países, como a China, que sofreram a agressão do Exército imperial japonês na primeira metade do século XX, acham que as visitas a Yasukuni reafirmam a recusa da classedirigente japonesa a reconhecer as brutalidades cometidas no passado. Em Yasukuni são homenageados 2,5 milhões de mortos em combate, entre os quais 14 são considerados criminosos de guerra.

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