Simpatizantes de Evo querem renúncia de governador

Simpatizantes do presidente Evo Morales que exigem a renúncia de Manfred Reyes Villa, governador aliado da oposição conservadora, abriram fogo contra o edifício do Congresso do Estado em Cochabamba durante violentos protestos na segunda-feira, ataque que deixou pelo menos 22 feridos. Os milhares de manifestantes, incluindo grupos indígenas, sindicatos e fazendeiros de coca, também prometeram começar nesta terça-feira um bloqueio das estradas que levam para esta cidade central da Bolívia, capital do Estado de Cochabamba, situada a 230 quilômetros de La Paz. Na segunda-feira, os manifestantes abriram fogo contra as pesadas portas de madeira do histórico edifício do Congresso e controlaram os escritórios do primeiro andar enquanto as labaredas se espalhavam, chamuscando a mobília e destruindo alguns arquivos do governo. Eles também atearam fogo em dois carros estacionados na praça em frente. Na segunda-feira mais cedo, a polícia do Estado tentou desalojar os manifestantes da praça lançando gás lacrimogêneo na multidão. Os manifestantes responderam jogando pedras.A imprensa local informou que pelo menos 22 pessoas ficaram feridas nos confrontos e que várias eram jornalistas que cobriam o evento. Imediatamente, o governo de Morales classificou a resposta como excessiva, demitindo o comandante da polícia do Estado, que havia sido assumido o cargo duas horas antes. A ministra do governo Alicia Muñoz, cujo escritório supervisiona a execução da lei nos nove Estados bolivianos, disse que a violência de segunda-feira foi uma indicação de que o governo central boliviano deve manter rédeas firmes sobre a polícia local. "A partir deste momento haverá controle", afirmou. "Haverá controle porque não vamos permitir mais atos de violência ou atos de repressão contra os setores sociais que, neste caso, estavam se manifestando em paz." Esta foi a terceira vez nas últimas semanas que os manifestantes lotaram a praça central de Cochabamba para exigir a renúncia do governador Reyes Villa, um ex-candidato à presidência que muitos consideram nutrir ambições políticas nacionais. No mês passado, Reyes denunciou publicamente o tratamento que Morales está dando em relação a uma assembléia constituinte para reescrever a Constituição boliviana, juntando-se a líderes da oposição para os quais todo artigo da nova Constituição deve ser redigido por dois terços dos delegados da assembléia.

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