Simpatizantes de ex-primeiro-ministro protestam em Timor

Quase 3.000 partidários do ex-primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri, que renunciou ao cargo na última segunda-feira, manifestaram-se nesta quinta-feira em seu apoio pelas ruas de Díli enquanto o país se recupera dos violentos incidentes da terça-feira.Os manifestantes, que estavam em carros e caminhões, tinham planos de chegar ao Palácio das Ciências, sede da Presidência, para entregar um documento ao presidente José Alexandre Xanana Gusmão pedindo-lhe a anulação da renúncia de Alkatiri.De acordo com a imprensa, o grupo não conseguiu entregar o texto por ter sido obrigado a desviar seu trajeto pelas forças australianas e neozelandesas enviadas a Díli.As forças de manutenção de paz revistaram os manifestantes, procedentes da periferia de Díli, para impedir que eles ingressassem com armas na capital."Longa vida a Alkatiri! Longa vida à unidade nacional!", gritavam os simpatizantes do ex-primeiro-ministro, muitos deles com frases de ordem pintadas no peito nu.Os simpatizantes de Alkatiri pretendiam deixar Díli ainda nesta quinta-feira, mas foram acomodados pelas forças estrangeiras no campus de uma universidade local.Um dos organizadores do protesto disse que os manifestantes devem deixar a cidade na sexta-feira depois de entregarem uma carta ao presidente na qual exigem inclusão no processo político durante a formação de um governo interino até que novas eleições sejam realizadas.RenúnciaO protesto desta quinta-feira foi a primeira manifestação de apoio a Alkatiri desde as mobilizações populares da semana passada para exigir sua renúncia. O ex-primeiro-ministro é acusado de armar esquadrões da morte para eliminar oponentes políticos.Impaciente com a insistência de Alkatiri em continuar no poder, o respeitado presidente Xanana Gusmão ameaçou renunciar a seu cargo se o primeiro-ministro não pedisse demissão.Em pronunciamento à nação feito depois dos protestos, Xanana Gusmão pediu calma. "Não façam provocação. É necessário respeito mútuo para que possamos superar essa crise", disse ele.Muitos timorenses culpam Alkatiri pela atual crise. Em março, ele demitiu 600 soldados em greve. Revoltados com a exoneração, os soldados renegados desencadearam uma onda de incêndios, saques e confrontos nas ruas de Díli, a capital do Timor Leste. A revolta transformou-se em violência de rua. Pelo menos 30 pessoas morreram e 150.000 fugiram de Díli, a capital timorense.Trata-se da pior onda de violência a afligir o Timor Leste desde 1999, quando milícias leais ao governo indonésio promoveram uma violenta campanha de morte e destruição depois que os timorenses votaram pela independência em um referendo patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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