Simulação assusta Washington durante ato

Em aniversário de ataque, exercício não informado faz aeroporto fechar

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

As homenagens às vítimas dos ataques do 11 de Setembro ontem, no oitavo aniversário do atentado terrorista, foram temporariamente ofuscadas por um treinamento da Guarda Costeira que deixou muitos americanos em pânico. A CNN captou conversas do rádio da Guarda Costeira de Washington em que se ouvia: "Atirem nos barcos suspeitos." A emissora rapidamente pôs no ar as imagens de um suposto confronto com um barco no Rio Potomac, perto do Pentágono. A comitiva do presidente Barack Obama tinha acabado de cruzar o rio rumo à Casa Branca, depois de o presidente ter participado de uma homenagem às vítimas do ataque no Pentágono.

Veja análise de Gustavo Chacra sobre o 11 de setembro, na Nova York de hoje

Na realidade, nenhum tiro foi disparado no treinamento de sexta-feira, que era de rotina, assegurou o porta-voz da guarda, vice-almirante John Currier. Mas o FBI não havia sido informado sobre o exercício, assistiu aos relatos na TV e suspendeu todos os vôos no aeroporto Reagan National por meia hora.

O incidente foi comparado a um fiasco do início do ano, em que o avião presidencial voando baixo em Manhattan assustou muitos nova-iorquinos, pela lembrança da colisão dos jatos com as torres gêmeas. Soube-se depois que se tratava de uma foto para o governo, mas o coordenador do evento, que não havia informado ninguém, teve de pedir demissão.

Obama tomou parte da cerimônia no Pentágono que teve início às 9h39, o horário exato em que o voo 77 da American Airlines atingiu o Pentágono em 11 de setembro de 2001.

"Oito setembros se passaram, quase 3 mil dias se foram, quase um dia para cada um dos que perdemos", disse Obama no memorial do Pentágono, na manhã chuvosa. "Mas nenhuma mudança de estação vai diminuir a dor e a perda daquele dia, a passagem do tempo não vai mudar o significado deste momento. Por meio da vida deles e por vocês, os entes queridos que eles deixaram para trás, os homens e mulheres que morreram oito anos atrás deixam um legado que ainda brilha na escuridão e nos leva a ser mais fortes, firmes e unidos", disse Obama. "Esse é nosso dever hoje e em todos os setembros que estão por vir."

As homenagens haviam começado mais cedo, no gramado da Casa Branca. Obama e sua mulher Michelle, mais 200 funcionários da residência oficial, fizeram um minuto de silêncio exatamente às 8h46, horário em que o primeiro avião bateu contra a torre norte do World Trade Center em Nova York, em 2001.

De lá o presidente e sua comitiva dirigiram-se ao Pentágono, onde foi construído um memorial ao ar livre com 184 bancos, cada um representando uma das vítimas do atentado ao edifício - 59 no avião e 125 em terra.

"Conscientes de que a missão de proteger a América nunca chega ao fim, nós faremos tudo que pudermos para manter os EUA seguros", ele disse.

Obama fez do 11 de Setembro o "dia nacional de serviço e lembrança" e pediu aos americanos que se envolvam em projetos comunitários e ações de voluntariado em todo o país. O programa inclui cozinhar refeições para os pobres, plantar jardins, ajudar a consertar casas de famílias de baixa renda e preparar pacotes de material escolar para crianças de baixa renda.

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