Simulação de acidente aéreo provoca pânico em Nairóbi

O pânico tomou conta das redações dos meios de comunicação durante algumas horas em Nairóbi, quando as autoridades aeroportuárias anunciaram a queda de um avião com 80 passageiros a bordo, para depois esclarecer que se tratava de uma simulação. O exercício, ordenado pelas autoridades do aeroporto, começou às 10h10 (4h10 em Brasília) com o anúncio de que um avião, vindo da República Democrática do Congo com 80 pessoas a bordo, havia caído e estava em chamas perto do aeroporto. Imediatamente após o anúncio, os serviços de emergência e a polícia se deslocaram ao local do suposto acidente, enquanto o aeroporto recebia telefonemas de jornalistas tentando confirmar a informação. "Enviamos a polícia aeroportuária, estamos à espera de detalhes", disse o porta-voz da polícia, Jasper Ombati. Cerca de duas horas depois, o oficial de guarda da Autoridade Aeroportuária Queniana, Richard Mutiso, confirmou por telefone que se tratava de uma simulação. "É uma simulação, um exercício para testar nossa capacidade de resposta", disse Mutiso. Na quarta-feira, um pequeno avião com 14 turistas e dois pilotos a bordo se acidentou em uma aterrissagem de emergência no aeroporto nacional "Wilson", sem deixar feridos. O piloto do avião tinha decidido aterrissar novamente dez minutos depois da decolagem depois de comprovar que um dos motores estava falhando. A encarregada de informação de vôos, Christine Awando, disse que o dia começou como outro qualquer e os empregados não sabiam que haveria uma simulação. "Quando anunciaram a queda do avião, usei o sistema de som para pedir que qualquer pessoa com experiência médica se dirigisse à sala de primeiros socorros para dali ser conduzido para o local do acidente", disse. A funcionária reconheceu a importância deste tipo de exercícios. "As simulações são muito importantes para nos assegurarmos de que estamos prontos", acrescentou. As autoridades quenianas foram acusadas em várias ocasiões de não estarem preparadas para responder à emergências, como no atentado de 1997 contra a embaixada americana, em que os pedestres retiraram os feridos dos escombros no meio do caos. Uma cena similar aconteceu em janeiro quando desabou um edifício no centro de Nairóbi. A forma como a simulação no aeroporto de Nairóbi foi feita provocou queixas dos meios de comunicação, que em outros lugares do mundo são alertados de que se trata de um exercício. Há vários anos, diante de outro anúncio parecido, as equipes de televisão saíram disparadas em direção ao aeroporto, onde encontraram a polícia, ambulâncias e exército correndo de um lado para outro. Quando as autoridades aeroportuárias decidiram esclarecer que era uma simulação, a notícia havia dado a volta ao mundo, e os meios de comunicação tiveram que anulá-la, entre protestos por terem sido usados sem saber.

Agencia Estado,

06 Abril 2006 | 10h34

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