Sinais são de que EUA escapam da recessão

A alta, pelo segundo mês consecutivo, do índice de confiança dos consumidores americanos - resultado maior que o da média da Associação Nacional dos Gerentes de Compras (NAPM), que mede a atividade do setor industrial - e a reação positiva do mercado de bônus privados à redução de mais 0,25% da taxa de juros, anunciada na quarta-feira pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Alan Greenspan, produziram nesta sexta-feira os primeiros sinais mais convincentes que a economia americana evitará a recessão e pode já estar no caminho da recuperação, depois de oito meses de crescimento anêmico."Esse aumento pode estar indicando que o pior passou", informou a NAPM, ao divulgar o índice de 44,4, bem acima dos 39,3 previstos e dos 38,7 registrados em maio.Um total abaixo de 50 indica contração, e acima, crescimento."Isso sugere que estamos caminhando rumo ao um período de expansão", disse Tony Crescenzi, um estrategista do mercado de bônus da firma Miller Tabak & Co.Dois importantes elementos do índice da NAPM moveram-se em direções que justificam as previsões mais favoráveis: os preços pagos pela indústria caíram e o emprego aumentou.Os dados finais do mês de junho sobre a confiança dos consumidores, divulgados nesta sexta pela Universidade de Michigan (um aumento de 92 para 92,6 em relação a maio), reforçaram as esperanças dos mais otimistas, pois confirmaram informações semelhantes divulgadas no início da semana pelo Conference Board, um grupo privado de pesquisa econômica.Na segunda-feira, o grupo informou que seu índice de confiança aumentou pelo segundo mês consecutivo e atingiu o ponto mais alto deste ano - 117,9, comparados com 116,1 em maio.Para Drew Matus, um economista da Lehman Brothers, a recuperação dos dois índices que medem o grau confiança dos consumidores na economia nos 12 meses adiante "é típica do que esperaríamos ver numa recuperação da economia".O Departamento de Comércio também ajudou a alimentar expectativas mais favoráveis com uma série de estatísticas que surpreendeu positivamente os analistas, no início da semana.As encomendas de carros, circuitos integrados de computadores e bens duráveis à indústria, que caíram 5,5% em abril, subiram 2,9% em maio. O mercado imobiliário também contribuiu, com 928 mil casas vendidas em maio, que se comparam com 921 mil, no mês anterior.Segundo analistas, esses dados e ganhos no mercado de bônus privados sugerem que a estratégia de relaxamento dos juros do Fed, que cortou 2,75% da taxa em seis meses, estaria começando a estimular a atividade econômica."O mercado de bônus privado está dizendo, basicamente, que nós evitaremos a recessão", disse Steve Bohlin, da Thornburg Investment Management, de Santa Fé, Novo México.Mas, no ambiente de incerteza que ainda predomina, um par de estatísticas econômicas desfavoráveis pode toldar este panorama promissor.Na quarta-feira, ao comentar o corte de juros, o jornal The Washington Post fez uma crítica velada ao Fed, afirmando que a redução de 0,25% "poderia comprovar-se insuficiente".Além de alguns analistas continuarem apontando para os lucros modestos das empresas, há preocupação com o elevado grau de endividamento das companhias e dos consumidores.Outra fonte de apreensão é o fato de a política monetária não ter sido acompanhada por uma desvalorização do dólar em relação ao euro e ao iene, que tornaria as exportações mais competitivas e estimularia a produção.E alguns governadores do Fed acham que a agressiva estratégia de corte de juros de seu presidente, Alan Greenspan, pode não dar o resultado pretendido, mas abra a porta para o retorno da inflação.

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