Sindicalista ameaça parar Argentina com greve

Hugo Moyano, secretário-geral da CGT, é alvo de investigação na Suíça por lavagem de dinheiro

Ariel Palácios, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2011 | 00h00

O líder sindical argentino Hugo Moyano, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e principal aliado da presidente Cristina Kirchner na área social, ameaçou ontem começar, a partir de segunda-feira, uma greve de caminhoneiros (seu sindicato original) e organizar marchas de protesto por toda a Argentina.

O argumento oficial para as manifestações, que prometem paralisar Buenos Aires mais uma vez, é expressar o "repúdio" às investigações que a Justiça da Suíça está realizando sobre lavagem de dinheiro na Argentina.

As investigações suíças, embora não mencionem diretamente o líder sindical, vieram acompanhadas de artigos jornalísticos que fazem referência ao suposto envolvimento de Moyano, esposa e filhos em casos de corrupção.

O sindicalista está na mira da imprensa argentina há meses e ameaçou bloquear os acessos às gráficas que imprimem jornais e revistas durante os protestos. "Estamos cansados dessa guerra midiática contra Moyano", afirmaram seus assessores, que garantem que o líder sindical estaria sendo "perseguido".

Paralelamente à investigação, a Justiça da Suíça bloqueou preventivamente uma conta do argentino Ricardo de Presbiteris, que é apontado como suposto testa de ferro de Moyano.

Presbiteris passou de motorista de caminhão de uma das maiores empresas de coleta de lixo da Argentina, a Covelia, ao cargo de presidente da companhia em apenas cinco anos.

Inesperadamente, o governo Kirchner manteve silêncio sobre a greve convocada por Moyano. "Não vou falar sobre isso", declarou o ministro do Interior, Florencio Randazzo.

O secretário-geral da CGT demonstrou irritação com as recentes investigações jornalísticas que indicam que ele estaria envolvido no escândalo de fraude em reembolsos médicos de planos de saúde sindicais especializados no tratamento de câncer de cólon e aids. O escândalo, que também inclui a adulteração de medicamentos, envolve sindicalistas, laboratórios e funcionários do governo.

Para complicar a situação do governo, a denominada "máfia dos remédios" teria conexões com o financiamento da campanha presidencial de Cristina, em 2007.

"Para nós não é coincidência tudo o que está ocorrendo. Na segunda-feira vamos nos concentrar na Praça de Maio e em todas as praças do país para realizar manifestações. Caso continuem essas ofensas, ficaremos na porta daqueles jornais que se dedicam a publicar essas notícias", disse Raúl Altamirano, secretário de imprensa da Federação Nacional dos Caminhoneiros, que chamou as notícias publicadas de "mentiras".

"Por cada denúncia que façam, de agora em diante, mobilizaremos mil, 10 mil, 20 mil trabalhadores, para que eles exijam que os jornalistas digam de onde tiram essas informações que publicam", disse, garantindo que "haverá bagunça" no país.

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