Sindicalistas bolivianos exigem renúncia de governador

Líderes sindicais bolivianos anunciaram um bloqueio de estradas a partir desta terça-feira para pedir arenúncia do governador da região de Cochabamba, após os violentos choques ocorridos na segunda-feira entre a polícia e manifestantes, que deixaram mais de 20 feridos.O dirigente da Central Operária Departamental (COD) deCochabamba, Omar Fernández, disse que o bloqueio contra o governador Manfred Reyes Villa terá o apoio de organizações camponesas do distrito, situado no centro do país.Os confrontos em Cochabamba entre policiais e manifestantes que pediam a renúncia do governador provocaram a destituição do comandante da polícia do distrito, poucas horas depois de ele assumir o cargo.O vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Alfredo Rada, reconheceu nesta terça-feira que houve "excessos" por parte da polícia na repressão. A ministra de Governo (Interior), Alicia Muñoz, afirmou que o comandante tomou uma "decisão unilateral" ao reprimir o protesto.Segundo a imprensa local, o choque deixou 22 feridos. Entre os jornalistas agredidos está o fotógrafo colaborador daEfe Jorge Abrego, que sofreu o impacto de cartuchos de gásLacrimogêneo.Os manifestantes também queimaram na praça principal dois carros e a fachada da Prefeitura. O incêndio foi controlado horas depois pelos bombeiros.O governo se reuniu em La Paz para analisar possíveis soluções para o conflito.Reyes Villa, que faz oposição ao governo de Evo Morales, é um firme defensor do método de dois terços na Assembléia Constituinte e da autonomia reivindicada nas regiões de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.Ao fim do encontro, Rada pediu ao governador que busque "espaços de diálogo" para devolver a "tranqüilidade" à cidade de Cochabamba.O governador, em declarações à Efe, disse que não renunciará ao cargo e acusou o presidente Morales de "incentivar o confronto num ato de sedição e num golpe à democracia em Cochabamba".Ele também responsabilizou Muñoz pelos danos na Prefeitura. "Ela destituiu o comandante da polícia e ordeno a retirada para que os manifestantes incendiassem o palácio", acusou.

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