Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Sindicalistas unem-se contra Cristina Kirchner na Argentina

Governo quer tornar ilegal entidade que representa trabalhadores do setor aéreo no país

Ariel Palacios, correspondente

16 de novembro de 2011 | 21h45

BUENOS AIRES - Hugo Moyano, secretário-geral da Confederação-Geral do Trabalho (CGT) da Argentina, anunciou seu respaldo aos trabalhadores da companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas, envolvidos no principal "confronto" sindical com a presidente Cristina Kirchner desde que ela chegou ao poder, em 2007.

 

Em aberto - e inédito - desafio à líder, Moyano criticou as ameaças feitas pelo governo, de solicitar à Justiça a declaração de ilegalidade do sindicato de técnicos aeronáuticos (e assim provocar seu fechamento), que entraram em greve na semana passada, em protesto contra a cúpula da companhia estatal e o péssimo estado de seus aviões.

 

Sindicalistas declararam ao Estado que o governo Cristina, depois de ter conseguido a reeleição presidencial, está manobrando para reduzir o poder dos sindicatos, seus antigos aliados. Analistas políticos afirmam que um "idílio" de oito anos entre os Kirchners e os sindicatos estaria no fim. Os líderes sindicais exigem aumentos salariais para tentar driblar a inflação, enquanto a presidente nega a existência da alta inflacionária.

 

No fim de semana, Cristina, depois de acusar os sindicalistas de "tentar boicotar o funcionamento da Argentina", decretou que o controle aéreo voltaria à Força Aérea.

 

Em 2007, o então presidente, Néstor Kirchner, havia retirado a função da Aeronáutica, alegando que ela deveria estar em mãos civis. Ontem, Cristina afirmou que o sindicato realiza "práticas sindicais que não são aceitáveis". Os sindicalistas acusam a diretoria das Aerolíneas Argentinas, dominadas atualmente pela "La Cámpora", organização da juventude kirchnerista, de causar rombos financeiros inexplicáveis.

 

Nesta quarta-feira, a Associação de Pilotos de Linhas Aéreas divulgou um relatório no qual sustenta que nos primeiros nove meses deste ano a companhia e sua subsidiária tiveram prejuízos de US$ 624 milhões. Reestatizada em 2009, a empresa ocupa o terceiro lugar entre as companhias aéreas com maior déficit no mundo. 

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