Ivan Alvarado/Reuters
Ivan Alvarado/Reuters

Sindicato de médicos e políticos pedem adiamento de plebiscito no Chile em razão do coronavírus

Consulta popular sobre nova Constituição seria realizada no dia 26 de abril

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 04h00

SANTIAGO - Representantes da Saúde, Política e frentes da sociedade civil no Chile pedem que o governo adie o plebiscito marcado para o dia 26 de abril sobre uma nova Constituição para o país em razão da pandemia de coronavírus. A consulta popular visa modificar a Carta atual, que data da ditadura de Augusto Pinochet – uma das reivindicações da população que sai às ruas desde outubro do ano passado contra o governo chileno.

O Colégio Médico (Colmed) do Chile - uma espécie de sindicato - se reuniu nesta segunda-feira, 16, com lideranças políticas para pedir o adiamento do plebiscito e explicar os riscos que a sua realização teria para a disseminação do vírus. "Esperamos ter uma resposta antes, e não no último momento, sobre o adiamento ou não, até porque isso deve causar manifestações, o que não é recomendável neste momento", afirmou a presidente do Colmed, Izkia Siches.

Desde o domingo 15, o número de contagiados pelo coronavírus no Chile passou de 75 para 155, levando o governo federal a anunciar o fechamento de suas fronteiras aéreas, marítimas e terrestres a partir desta quarta-feira, 17, em consonância com outros governos da América do Sul.

O governo de Sebastián Piñera já havia anunciado a paralisação das aulas por 14 dias e a proibição de eventos públicos com mais de 50 pessoas.

"Quando decidimos que a saúde e a vida das pessoas são nossas prioridades, indiscutivelmente não apenas o plebiscito deve ter sua data revisada, mas qualquer calendário eleitoral deste ano", afirmou nesta segunda Fuad Chahín, do Partido Democrata Cristão (DC).

Resposta

Esse plebiscito é a principal resposta de Piñera aos atos contra seu governo, que eclodiram em outubro do ano passado, e a aposta do presidente para encerrar a crise que continua levando pessoas insatisfeitas às ruas do país.

As pesquisas mostram que a opção "aprovo" (para a mudança da Constituição) deve vencer a votação, mas está incerto quem deveria redigir a nova Carta – segunda pergunta do plebiscito, na qual os chilenos devem escolher entre uma assembleia de cidadãos eleitos ou integrada também por parlamentares.

Até o momento, o governo tem evitado inclusive discutir a possibilidade de adiar o plebiscito alegando que a França chegou a realizar eleições municipais no domingo 15. Nesta segunda, no entanto, reconheceu que "há uma inquietude política importante sobre o plebiscito".

"Não há nenhuma decisão tomada sobre isso (adiamento). Nós, como Saúde, continuamos trabalhando para que o plebiscito seja realizado na melhor maneira possível, colocando postos sanitários nos locais de votação", afirmou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

Pesquisa da Encuesta Activa mostra que 57% dos consultados não concorda com o adiamento e 26% está a favor. Se o plebiscito for mantido para o dia 26 de abril e for aprovado, a eleição dos constituintes regionais será em outubro, junto com as eleições regionais e municipais. /EFE

 

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