Siphiwe Sibeko/Reuters
Siphiwe Sibeko/Reuters

Sindicato e mineiros firmam acordo na África do Sul

Trabalhadores das minas de ouro terão aumento salarial de 500 rands (US$ 57)

AE, Agência Estado

25 de outubro de 2012 | 19h46

JOHANESBURGO - A Câmara de Minas (sindicato patronal) da África do Sul anunciou nesta quinta-feira, 25, que entrou em acordo com a União Nacional dos Mineiros (NUM , pela sigla em inglês) para aumentar o salário dos trabalhadores de minas de ouro em 500 rands (US$ 57), além do aumento de 10% já concedido em julho, semanas antes do início das greves nas minas de ouro e platina.

Os aumentos são consideravelmente inferiores à demanda dos grevistas: 16 mil rands (US$ 1.800) por mês. A maioria dos mineiros recebe, hoje, um salário de 4 mil rands (US$ 500).

Trabalhadores têm acusado a NUM, o maior sindicato do setor, de estar muito próxima aos donos das minas e não pressioná-los suficientemente pelo aumento de salários.

Evans Ramokga, um dos líderes da greve na empresa Anglo American Platinum (Amplats), faz parte de um contingente de 12 mil trabalhadores demitidos no início do mês. Ele afirmou nesta quinta-feira que a prioridade dos mineiros agora é recuperar o emprego. Ramokga também disse que trabalhadores demitidos deveriam ter sido pagos na quarta-feira, o que não aconteceu.

A AngloGold Ashanti, também atingida pelas greves, demitiu nesta quarta-feira 12 mil mineiros que não se apresentaram ao trabalho. Um porta-voz da empresa afirmou que as greves em suas operações em Vaal River se encerraram após "uma recente proposta de aumento acordada por meio da política de negociação coletiva."

Sven Lunsche, porta-voz da Gold Fields, também afirmou que a empresa "continua na negociação coletiva como um caminho a ser seguido". Após ameaças de demissão, trabalhadores da Gold Fields retomaram atividades em três minas nos arredores de Johannesburgo. Mais de 28 mil mineiros que estavam em greve "estão de volta ao trabalho ou foram dispensados", disse Lunsche.

No auge da greve, mais de 80 mil trabalhadores - 16% da força de trabalho do setor - paralisaram suas atividades, o que prejudicou a reputação da África do Sul aos olhos de investidores estrangeiros. Recentemente, o presidente do país Jacob Zuma afirmou que a greve nas minas de ouro e platina custaram ao país 4,5 bilhões de rands (US$ 500 milhões).

As greves começaram em agosto no cinturão de platina nos arredores de Rutensburgo, a noroeste de Johanesburgo, quando trabalhadores da mina Marikana, da empresa Lomnin, pararam de trabalhar. A paralisação desencadeou o mais grave episódio de violência do país desde o fim do apartheid, no qual 46 pessoas morreram, incluindo 34 assassinadas pela polícia em 16 de agosto.

Com AP

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