AP
AP

Sindicato protesta contra prisões de jornalistas na Venezuela

Dois repórteres foram presos no fim de semana; procuradora admite abusos policiais

Denise Chrispim Marin - ENVIADA ESPECIAL ,

23 de março de 2014 | 16h34

CARACAS - A prisão de dois jornalistas no fim de semana  na Venezuela provocou neste domingo, 23, um protesto da categoria em frente à sede da Guarda Nacional Bolivariana (GNB). O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Jornalismo (SNTP) pediu o fim  das  agressões a repórteres e fotógrafos.  Os ataques ocorreram a dois dias do início de uma reunião da União das Nações sul-americanas (Unasul) sobre a crise política no país.

Em entrevista ao canal Televen, a procuradora-geral da República, Luisa Ortega Díaz, admitiu ter havido repressão contra opositores ao governo ao confirmar a investigação de 60 casos de violações de Direitos Humanos por policiais.

Segundo Luísa Ortega, 15 agentes de segurança estão presos. Entre os 60 casos investigados, há apenas policiais e guardas nacionais do governo de Nicolás Maduro e agentes de governos municipais administrados pela oposição. “Houve excessos de policiais, que estão sendo investigados. Houve um ataque à GNB, e entre os investigados estão agentes da Polícia de Chacao, acusados de um suposto homicídio”, afirmou.

Considerada pró-governo Maduro pela oposição venezuelana, a promotora-geral alegou haver um esforço para apresentar seu país ao mundo como um Estado violador dos Direitos Humanos. Ela insistiu haver na Venezuela uma Constituição que garante o respeito à integridade física pelas instituições do país. Para Luísa Ortega, as denúncias da oposição têm o objetivo de espalhar o medo.

Detenções. A procuradora não se pronunciou sobre as prisões de jornalistas ocorridas no fim de semana. Mildred Manrique, jornalista do Diário 2001, foi presa de noite em seu apartamento em Altamira, no bairro de classe média de Caracas, e levada ao Destacamento N 51 da GNB, onde ficou presa por três horas. Durante esse período, houve uma operação de busca e apreensão em seu apartamento, onde a GNB acreditava haver um estoque de coletes a prova de balas e munições, que não fora encontrados.

Israel Ruíz, repórter do time de beisebol Tiburones de La Guaira, continuava ontem detido na tarde de ontem pela GNB em Altos Mirandinos, no Estado de Miranda. Ele foi preso pela GNB na noite de 22 no estacionamento do prédio onde vive.

Recebido pelo comandante da GNB, general Justo Noguera Pietri, durante o protesto dos jornalistas, o secretário geral do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa, Marco Ruíz, informou ter havido 74 agressões da guarda contra 56 jornalistas desde 12 de fevereiro, quando os protestos contra o governo se tornaram mais intensos no país. Desses casos, 32 casos foram de intimidação, 18 de detenção, 13 de ataques físicas e 11 de roubo.

“Exigimos a liberação de Israel Ruíz e que sejam investigados e imputadas propriamente as violações à liberdade de expressão ocorridas na Venezuela. E exigimos que os senhores se pronunciem publicamente em rechaço às agressões contra jornalistas, fotógrafos e meios de comunicação”, afirmou Marco Ruíz ao general Pietri.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.