Sindicato reúne militantes negros para evitar confronto

Manobra de líderes concentra multidão de ativistas a 10 quilômetros de distância da fazenda de Terreblanche

, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

VENTERSDORP, ÁFRICA DO SUL

A cerca de 10 quilômetros do funeral de Eugene Terreblanche, num salão comunitário em Tshing, a Cosatu, principal central sindical da África do Sul, organizou um encontro de militantes negros.

Largamente divulgada pela imprensa local como uma provocação aos extremistas brancos, que velavam ao mesmo tempo o corpo do fundador do Movimento de Resistência Africâner (AWB), a iniciativa foi, na verdade, uma maneira de reunir a militância em outro local e evitar choques com os milhares de bôeres que passaram pela região.

No salão, não houve ofensas raciais. Os militantes respondiam com gritos às palavras de ordem dos sindicalistas. No meio do vozerio, um maltrapilho assistia a tudo desolado.

John Mthethwa tinha as roupas rasgadas e falava com dificuldade. Em setembro, ele foi espancado por membros do AWB. Perdeu um olho e o emprego.

"Foi Terreblanche. Ele me deu um tiro na cara", disse. "Depois, recebi tanta pancada no braço que não consigo mais movimentá-lo."

Mthethwa, porém, estava desapontado com a morte violenta do homem que foi seu algoz. "É que ele me devia dinheiro e morreu sem pagar. O que posso fazer se não consigo mais trabalhar? Terreblanche me levou tudo." / C.D.

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