Sindicatos clamam êxito de mobilização anti CPE

Os sindicatos trabalhistas e estudantis anunciaram nesta terça-feira o êxito de sua quinta jornada de mobilização contra o Contrato Primeiro Emprego (CPE), na véspera do início dos diálogos com legisladores do partido governista, o conservador UMP. Recém sancionada pelo presidente Jacques Chirac, a polêmica lei trabalhista permite a demissão de menores de 26 anos sem o pagamento de indenizações durante os dois primeiros anos de contrato. As negociações ocorrem no momento em que o primeiro-ministro Dominique de Villepin está mais debilitado. A impopularidade de Villepin, que lançou o CPE em janeiro, alcançou níveis recordes. Somente 28% dos franceses estão contentes com sua administração, pior resultado em dez meses no cargo. Sua demissão é desejada por 45% dos entrevistados, enquanto 49% preferem que ele continue. O assunto está agora nas mãos do parlamentares da UMP, presidida pelo número dois do governo e rival político de Villepin, Nicolas Sarkozy, que também ambiciona concorrer nas eleições presidenciais de 2007. "Há dois meses, temos um governo autoritário. Desde quinta-feira, este governo não existe", disse o dirigente socialista Jean-Marc Ayrault, que denunciou uma crise de regime com "dois primeiros-ministros" e a "guerra bizantina de sucessão" travada por Villepin e Sarkozy. Villepin, que promete "não ficar de braços cruzados" diante da greve, respondeu que sua gestão respeita as instituições, com cada um em seu papel, e disse que a prioridade é sair da crise, que não é de interesse de ninguém. O futuro do CPE - sua mera modificação, uma mudança radical ou a retirada total da lei como querem os sindicatos - estão nas mãos do líder a UMP na Câmara dos Deputados, Bernard Accoyer, e seu colega do Senado, Josselin de Rohan. Accoyer convidou os interlocutores sociais para iniciar um diálogo sobre a proposta nesta quarta-feira, que dadas as duas semanas de recesso parlamentar que este mês coincidiram com as férias escolares poderia ser apresentada em maio. Perguntado pela France Info se a retirada do CPE é uma opção, Accoyer se limitou a expressar a vontade de "virar a página". Os líderes das doze organizações sindicais e de estudantes que lideram a campanha contra a lei trabalhista se reúnem na quarta-feira para decidir sua posição. Vários dirigentes sindicais indicaram sua disposição para realizar negociações com Accoyer, mas para exigir a retirada do CPE e não para fazer "ajustes", Enquanto isso, o Partido Socialista apresentará na quarta-feira um projeto de lei para exigir anulação do CPE e de seu "irmão mais velho", o CNE (Contrato Novo Emprego), em vigor desde outubro de 2005, e fazer novas propostas.

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