Sindicatos da França pedem que protestos contra reforma da previdência continuem

Caiu pela metade número de manifestantes nas ruas contra medida aprovada pelo Parlamento.

BBC Brasil, BBC

28 de outubro de 2010 | 18h06

Greve e protestos nesta quinta-feira tiveram menos apoio nas ruas

Apesar da forte diminuição dos protestos contra a reforma da previdência na França, sindicatos do país lançaram nesta quinta-feira um apelo pela continuidade da mobilização, com o objetivo de convencer o presidente Nicolas Sarkozy a não promulgar a lei que aumenta a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos.

As manifestações e greves na França nesta quinta-feira contra a reforma, já aprovada pelo Parlamento, foram marcadas por uma redução pela metade no número de manifestantes, segundo o governo e também os sindicatos.

As 269 passeatas organizadas no país, nesta sétima jornada de protestos e greves desde setembro, reuniram apenas 560 mil pessoas, de acordo com o ministério do Interior, ou quase 2 milhões, segundo a confederação sindical CGT - que emitiu um comunicado pedindo que a mobilização continue.

Em 19 de outubro, dia da última jornada de mobilização contra a reforma, o número de manifestantes havia sido de 1,1 milhão, segundo a polícia, e de 3,5 milhões, de acordo com a CGT.

"Mesmo se a mobilização é menor do que nas manifestações anteriores, ela continua impressionante, se considerarmos que a reforma já foi aprovada", afirmou Bernard Thibault, secretário-geral da central sindical.

Férias

Além da aprovação definitiva do texto pelo Parlamento, na quarta-feira, o atual período de férias escolares também contribuiu para reduzir o número de manifestantes e grevistas, admitem os líderes sindicais.

Outro fator apontado pelos sindicatos é o do custo financeiro das paralisações para os trabalhadores, já que os dias de greve são descontados dos salários.

"É um risco que nós assumimos, mas não é porque uma lei foi votada que ela seria justa e que não é mais preciso contestá-la", disse François Chérèque, secretário-geral da confederação CFDT.

O Partido Socialista informou que irá apresentar na próxima terça-feira ao Conselho Constitucional um recurso contra a reforma da previdência.

A previsão é de que Sarkozy promulgue a lei em meados de novembro, após a análise do Conselho Constitucional.

"Estamos caminhando para uma saída da crise nos próximos dias ou semanas", afirmou Eric Woerth, ministro do Trabalho.

O número de grevistas nas empresas e órgãos públicos também foi bem menor nesta quinta. Apenas 5,33% dos servidores fizeram greve contra 19% em 12 de outubro e 11,5% no dia 19, segundo o governo.

Os transportes públicos foram afetados em vária cidades, mas de maneira menos problemática. A estatal ferroviária SNCF informou que houve 16,8% de grevistas. No dia 12, o número havia sido de 40,4%.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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