REUTERS/Charles Platiau
REUTERS/Charles Platiau

Sindicatos da França tentam manter pressão contra reforma da Previdência com greves e protestos

Oito das 14 linhas de metrô de Paris foram fechadas e restantes operam parcialmente; sindicatos tentam pressionar o governo de Macron a descartar reforma no sistema de aposentadorias

Estadão, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 15h58

PARIS - Sindicatos da França atrapalharam os transportes e se reuniram para protestos em massa nesta terça-feira, 17, redobrando esforços para obrigar o presidente do país, Emmanuel Macron, a descartar a proposta de reforma da Previdência até o Natal.

O movimento nacional de greves e protestos recorrentes começou a minguar ao entrar na segunda semana, mas os sindicatos esperam novo impulso para recuperar o ímpeto, levando centenas de milhares de manifestantes de volta às ruas.

Ex-banqueiro de investimentos, Macron diz que quer simplificar o sistema previdenciário atual com uma série de privilégios especiais e usar incentivos para convencer as pessoas a trabalharem até os 64 anos, em vez da idade média de aposentadoria atual de 62.

Das 14 linhas de metrô de Paris, oito foram fechadas e as restantes operavam parcialmente, sem contar duas linhas de trens automáticos. Os trens interurbanos dos subúrbios foram seriamente afetados, as estradas estavam repletas de pedestres e as ruas cheias de bicicletas e patinetes elétricos de pessoas tentando chegar ao trabalho.

Os sindicatos, de um lado, e Macron, de outro, torcem para que a outra parte ceda antes do Natal, já que a perspectiva de greves contínuas no feriado alienaria um público cada vez mais frustrado.

“Não fui eu que comecei a reforma da Previdência, mas me sinto feito de refém. É frustração se tornando irritação”, disse Johan Boyet, preso no tráfego matutino interurbano no Boulevard Haussmann, no centro de Paris.

A operadora ferroviária estatal SNCF pediu aos usuários que não fossem às estações na esperança de viajar porque 80% dos trens não estão funcionando na região ao redor da capital. Nas últimas duas semanas, policiais e seguranças tiveram que impedir usuários do transporte interurbano de entrar em trens lotados à força em algumas estações.

“Os passageiros estão cansados, nossos empregados que não estão em greve estão cansados”, disse o chefe da SNCF da região de Paris, Alain Krakovitch, à BFM TV. “Minha responsabilidade é espalhar a notícia para evitar colocar os passageiros em uma situação insegura”.

Os congestionamentos matutinos na área de Paris totalizaram 300 quilômetros, mas normalizaram ao final do horário de pico da manhã, já que muitos trabalhadores saíram mais cedo ou ficaram em casa.

O comparecimento aos protestos vem diminuindo desde o início do impasse, mas sindicatos preveem um grande público nesta terça-feira, já que todos os maiores sindicatos participarão da mesma manifestação pela primeira vez. / REUTERS

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