Sindicatos e estudantes franceses comemoram fim do CPE

Os sindicatos de trabalhadores e as organizações de estudantes franceses que lideraram durante mais de dois meses a campanha contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE) comemoraram nesta segunda-feira sua vitória, mas alertaram que continuarão atentos até que a revogação seja definitiva. Isso significa que, até que seja votado e promulgado o projeto de lei que substituirá o CPE com medidas a favor da inclusão de jovens com dificuldades para entrar no mercado de trabalho, os sindicatos estarão observando a situação. Ao final de duas horas de reunião na sede do sindicato CGT, os filiados do órgão comemoraram em uma declaração conjunta a decisão anunciada da retirada do CPE, um êxito atribuído à "determinação, perseverança e unidade" do movimento. O movimento de crítica à lei trabalhista chegou a reunir entre 1 milhão e 3 milhões de manifestantes nas ruas da França para exigir a retirada do contrato lançado pelo primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, em janeiro. Hoje, após semanas de crise social e política, o presidente Jacques Chirac decidiu que o CPE será substituído por medidas a favor da inserção de jovens com dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Villepin Muito enfraquecido pela crise, que prejudicou sua imagem diante do eleitorado e comprometeu suas chances para as eleições presidenciais de 2007, Villepin teve que admitir 1sua derrota ao revogar o contrato. Voltada para menores de 26 anos, a lei permitia a demissão sem justa causa dos empregados com menos de dois anos de experiência. O projeto de lei que substituirá o artigo sobre o CPE na lei de igualdade de oportunidades foi introduzido nesta segunda-feira na câmara dos deputados por legisladores do partido conservador governista UMP. A apreciação da proposta pode começar já nesta terça-feira, para que seja adotada pelo Parlamento ainda esta semana. A CGT pediu aos estudantes e trabalhadores que acompanhem o resultado da ação, e diz que continuará alerta até que a lei destinada a substituir o CPE seja efetivamente votada e promulgada. Novas manifestações A central sindical acrescentou que manifestações organizadas por grupos estudantis serão realizadas nesta terça-feira em várias cidades, incluindo Paris. Embora a greve tenha sido votada nas universidades de várias cidades do país como Nantes, Marselha e Toulouse, a CGT pediu que fossem criadas as condições necessárias para que os estudantes não sejam "penalizados", especialmente por causa do período de provas que se aproxima. Segundo a CGT, o sucesso com a revogação do CPE dará a confiança e o dinamismo necessários para que as "questões do emprego dos jovens, a formação e a precariedade do trabalho cheguem a soluções rápidas". CNE Uma das medidas na mira dos manifestantes é o CNE, lei em vigor desde o agosto passado considerada a "irmã mais velha" do CPE. A medida também permite a demissão de trabalhadores sem justa causa durante os dois primeiros anos de contrato, mas é destinada a trabalhadores de qualquer idade em empresas com menos de 20 assalariados. A retirada do CNE foi reivindicada neste fim de semana pela coordenação de estudantes - estrutura paralela à central sindical -, que também convocou uma greve para o próximo dia 18 e reivindicou a retirada de toda a lei de igualdade de oportunidades, não somente de seu artigo 8 sobre o CPE. Essa lei, elaborada pelo Governo em resposta à onda de violência que atingiu bairros da França no final do ano passado, permite a formação profissional a partir dos 14 anos e um contrato de trabalho a partir dos 15 anos. Embora vários sindicatos de trabalhadores queiram acabar com o CNE, eles informaram que o objetivo imediato das mobilizações das últimas semanas foi alcançado com a revogação do CPE.

Agencia Estado,

10 Abril 2006 | 21h03

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