Sindicatos fazem greve em memória de professor argentino

Centenas de sindicatos em toda a Argentina paralisarão suas atividades na segunda-feira, 9, em protesto contra a morte do professor público Carlos Fuentalba, ocorrida na sexta-feira, 6, durante uma manifestação de docentes na província patagônica de Neuquén.Além dos professores, que realizarão uma greve de 24 horas, também aderem à paralisação os funcionários públicos e os sindicatos da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA). A cidade de Buenos Aires ficará sem transportes públicos a partir do meio-dia.Os sindicatos envolvidos na greve exigem a punição dos responsáveis pela morte do professor Fuentalba e a renúncia do governador de Neuquén, Jorge Sobisch. Embora seja inimigo de Sobisch, o governo do presidente Néstor Kirchner também está sendo afetado pela crise dos professores, que há várias semanas espalha-se gradualmente por todo o país.ReivindicaçõesOs docentes exigem maiores salários, pois argumentam que os que recebem são "devorados" pela inflação que o governo Kirchnern não reconhece. Em 2006, a inflação oficial foi de 9,8%. Mas, prestigiados economistas afirmam que na realidade, teria sido de pelo menos 15%.Embora os professores das escolas públicas dependam diretamente dos governos provinciais, Kirchner tampouco está a favor de aumentos para o setor. Os analistas indicam que a crise dos professores é o estopim de uma série de conflitos setoriais que o governo Kirchner está tentando esconder.Os analistas sustentam que ano eleitoral promete ser conturbado. Kirchner se apresentaria à reeleição presidencial em outubro de 2007. Caso não seja candidato, sua esposa, a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner se apresentaria à sucessão do marido. O casal possui, por enquanto, elevados níveis de popularidade.ConflitoFuentalba morreu na sexta-feira, após um dia em coma. Na quinta-feira ele participou de uma manifestação dos professores públicos de Neuquén para exigir maiores salários. Na ocasião, o policial José Darío Poblete disparou uma granada de gás lacrimogêneo contra o carro onde estava Fuentalba. O projétil atingiu a cabeça do professor, que estava a apenas um metro e meio do policial, causando um afundamento de crânio que o deixou em coma. O policial foi detido e acusado de homicídio. A morte de Fuentalba enterrou - segundo os analistas políticos - a candidatura de Sobisch à presidência da República nas eleições de outubro por grupos de centro-direita. Também liquidou as expectativas de que pudesse ser o vice na chapa de outro líder da direita.No meio da crise, Sobisch argumentou que o soldado da polícia havia disparado por engano. "Talvez tropeçou, e disparou sem querer", alegou. O governador também recusou-se a demitir seu gabinete e disse que não renunciaria de forma alguma.A recusa do governador elevou a tensão existente em Neuquén desde a semana passada. Os professores bloquearam as duas pontes de acesso à cidade. A morte de Fuentalba também consiste em um duro golpe aos aliados de Sobisch. Um dos afetados é o presidente do time Boca Juniors, Mauricio Macri, líder do Proposta Republicana (PRO), coalizão de centro-direita que governador de Neuquén integra. Macri é um dos preferidos na pesquisa para a eleição para a prefeitura de Buenos Aires, que será realizada no próximo mês de junho.

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