Sindicatos franceses anunciam mais protestos e nova greve

Sindicatos franceses e líderes estudantis, embalados pelas manifestações que reuniram milhões de pessoas nesta terça-feira em um dia de greve nacional, anunciaram que novos protestos serão realizados na próxima terça-feira para aumentar a pressão sobre o governo para a retirada de uma nova lei trabalhista. Aeroportos e estações de trens deverão ser bloqueados. O anúncio foi feito em uma reunião de sindicatos, que ainda segue em andamento, e anunciada pelo líder Gerard Aschieri. Não ficou definido se será convocado um novo dia de greve nacional, pois sindicatos e uniões estudantis não entraram em acordo. Os manifestantes pedem a intervenção do presidente Jacques Chirac, que anunciou que falará sobre o tema somente nos próximos dias. O presidente, até o momento, saiu em defesa do primeiro-ministro Dominique de Villepin, mas as pressões podem fazer com que ele mude de opinião. Já Villepin defendeu novamente sua medida no parlamento, e disse continuar disposto a negociar. Porém, os conservadores estão divididos, e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, sugeriu a suspensão da lei para permitir novas negociações. Uma possível resolução para a crise poderá vir à tona na próxima quinta-feira, quando o Conselho Constitucional (espécie de corte suprema do país) decidirá se a lei viola ou não os códigos de leis internacionais. Para o líder estudantil Bruno Julliard, se o conselho, formado por nove membros, decidir pela retirada da nova lei, as manifestações cessarão. "Todos iriam saber que a lei é rejeitada também pelo governo", disse. O Contrato Primeiro Emprego (CPE) tem como objetivo ampliar a oferta de trabalho para os jovens franceses. Uma vez sancionado pelo presidente, ele permitirá que os empregadores despeçam funcionários com menos de 26 anos sem o pagamento de indenização durante um período de experiência de 2 anos. Continuam os protestos Na manhã desta quarta-feira, jovens bloquearam o tráfego nas principais avenidas de Rennes e de várias rodovias que servem de saída da cidade. Além disso, protestantes ocuparam estações de trem interrompendo os serviços de ferroviários. A polícia recebeu ordens de prender o maior número possível de manifestantes agressivos, e agir violentamente contra jovens que atirarem pedras, garrafas ou outros objetos. Nas manifestações de terça-feira, 46 manifestantes foram feridos em Paris. Segundo Sarkozy, nove policiais ficaram feridos por toda a França. Além disso, o chefe da policia nacional, Michel Gaudin, disse que 787 jovens foram presos, sendo 488 só em Paris.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 13h36

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