Sindicatos pedem investigação de suicídios na França

Dois sindicatos de funcionários da France Telecom pediram hoje uma investigação parlamentar sobre a onda de suicídios que vem ocorrendo na empresa, que já foi estatal. O pedido feito pelos sindicatos Force Ouvriere e CFTC ocorreu após uma funcionária ter se jogado de um escritório da France Telecom na sexta-feira. A empresa, que já foi estatal, emprega 100 mil pessoas na França. Vinte e três de seus funcionários se mataram desde fevereiro de 2008. "A crise da France Telecom é agora um problema nacional", disseram os sindicatos em comunicado conjunto. O governo tomou medidas para pressionar os diretores da France Telecom. O ministro do Trabalho, Xavier Darcos, marcou uma reunião amanhã com o executivo-chefe da empresa, Didier Lombard.

AE, Agencia Estado

14 de setembro de 2009 | 19h46

A última vítima, uma mulher de 32 anos, saltou do quinto andar de um prédio da France Telecom em Paris na sexta-feira. Dois dias antes, outro empregado se matou durante uma reunião. "É responsabilidade e obrigação da empresa e do governo, que é um poderoso acionista, examinar a questão", disse o chefe do Estado Maior do presidente Nicolas Sarkozy, Claude Gueant, à rádio RTL.

O principal auxiliar de Sarkozy disse que, em muitos casos, os empregados estavam lutando com demônios pessoais e que a France Telecom não é completamente culpada pelas mortes. "Suicídio é um assunto muito sério, muito pessoal e não podemos reduzir o fenômeno na France Telecom a um problema organizacional da empresa", acrescentou Gueant. O presidente do sindicato CFDT, Francois Chereque, exigiu que a empresa congele seu programa de reestruturação. "Essas não são tragédias pessoais. Nós sabemos que o suicídio tem origem em alguns problemas pessoais, mas cometer este ato no local de trabalho é um pedido de ajuda ligado ao local onde a ação é realizada", disse Chereque.

"O Estado precisa forçar a diretoria a rever suas práticas de trabalho que são a causa do mal-estar e interromper seus planos de reestruturação, as transferências forçadas e as táticas de pressão", disse Dominique Glemas, do sindicato Sud.O número de suicídios na França em 2006 foi de 16 por 100 mil habitantes, segundo a agência nacional de pesquisa em saúde, Inserm. As informações são da Dow Jones.

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