Sindicatos se preparam para conversa com governo francês

Manifestantes bloquearam estradas francesas, ferrovias e não deixaram que caminhões dos correios trafegassem nesta quarta-feira, em mais um dia de protestos contra uma polêmica lei trabalhista sancionada na semana passada pelo presidente Jacques Chirac. Os sindicatos exigem que o Contrato Primeiro Emprego (CPE), que segundo eles facilitará a demissão de jovens trabalhadores, seja vetado. Eles também disseram que não irão ceder durante as conversas com o partido de Chirac. Um porta-voz do presidente disse que, em uma reunião de Gabinete, Chirac falou que espera que as conversas sejam construtivas. "Os estudantes precisam estar preparados para suas provas e os universitários precisam retornas às aulas", teria dito o presidente. Algumas universidades estão fechadas há semanas, e várias escolas têm sido afetadas. Mesmo preparados para as conversas desta quarta-feira com os legisladores do governo de Chirac, os sindicatos também têm feito reuniões internas para determinar se manterão a pressão intensa sobre o governo. Os sindicatos decidiram esperar até a próxima segunda-feira para marcarem uma nova data os protestos. Também deram um prazo de 10 dias para que o governo revogue a lei. O oposicionista Partido Socialista mandou uma nota ao parlamento pedindo que a lei seja revogada, e exigindo que as discussões sobre a lei ocorram antes das férias dos legisladores, que acontece no meio de abril. O premiê Dominique de Villepin, que propôs a lei e está sob artilharia pesada da opinião pública, continuou firme em sua convicção nesta quarta-feira e continua defendendo a lei. Fúria nas cidades Manifestantes na cidade de Nantes bloquearam o tráfego dos transportes de carne por três horas. Em Toulouse, estudantes não deixaram que caminhões de supermercados entregassem suas mercadorias. A rádio Europe-1 reportou que estudantes em Chamberry se posicionaram sobre os trilhos de trem, afetando todo o transporte público. As marchas desta última terça-feira foram, em sua maioria, pacíficas, tirando a violência que explodiu ao final do maior protesto, em Paris. Milhares de estudantes arrancaram placas de trânsito, bancos públicos e jogaram pedaços de asfalto na polícia. Em resposta, as forças de segurança prenderam cerca de 383 pessoas em Paris. Outras 243 foram presas ao redor da França. A polícia disse que mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas em 268 manifestações por todo o país. Para os sindicatos, esse o número é 3 milhões. É a segunda vez que os estudantes utilizam uma terça-feira para juntar o maior número de pessoas nas passeatas, mas as manifestações tem perdido um pouco da força inicial.

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