Singh é o responsável pela liberalização econômica da Índia

Manmohan Singh, conhecido por ser o arquiteto da liberalização econômica, foi convidado para assumir o cargo de primeiro-ministro da Índia. Poucos duvidam de sua capacidade como economista e administrador. As questões giram em torno de sua capacidade e experiência como um estrategista político liderando um governo de coalizão. Ele nunca ganhou uma eleição popular em sua vida e ocupa uma vaga no Parlamento devido a um voto de seu partido.O acadêmico, que estudou em Cambridge e Oxford, na Grã-Bretanha, tornou-se ministro da Economia da Índia em 1991, quando o país estava afundado em dívidas. A Índia tinha um déficit fiscal insustentável - 8,5% do PIB, e sua dívida externa estava em cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 3,1 bilhões).Em seu discurso ao tomar posse como ministro da Economia, Singh citou o escritor Victor Hugo: "Nenhum poder na terra pode impedir uma idéia cujo tempo chegou". Isso serviu como início de um programa de reforma econômica ambicioso e sem precedentes na Índia, que foi apoiado pelo então primeiro-ministro Narasimha Rao.ReformasSingh simplificou o sistema de impostos e removeu controles e regulações para tentar criar um ambiente propício aos negócios. A economia e a indústria se recuperaram, a inflação recuou, e as taxas de crescimento se mantiveram altas nos anos 90. Sob o comando de Singh, a economia cresceu a uma taxa de 7% ao ano.Nos últimos anos, ele lamentou que a economia não estivesse crescendo "rápido o suficiente" sob o governo do partido Bharatiya Janata, que perdeu as últimas eleições no país.Modelo mistoSingh defende um "modelo de economia mista" com um importante papel dado às indústrias estatais, principalmente na infra-estrutura e na agricultura. Singh acredita na modernização das companhias estatais, não na sua venda. Sua indicação para o cargo de ministro da Economia em 1991 interrompeu uma longa e nobre carreira como acadêmico e funcionário público.Ele foi professor de economia em universidades da Índia e do exterior, incluindo a prestigiosa Escola de Economia de Nova Délhi e a Universidade de Oxford. Ele também foi presidente do Banco Central da Índia, consultor do governo em questões econômicas e regulador com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o Banco de Desenvolvimento Asiático.PolíticaSingh foi o ministro da Economia entre 1991 e 1996 e foi duas vezes eleito membro do Parlamento. Confidente da líder do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, Singh, de 72 anos, sempre evitou chamar a atenção e é conhecido por tentar evitar se envolver em jogos de poder.Ele conduziu o manifesto econômico para o Partido do Congresso durante a campanha eleitoral deste ano. Desde a surpreendente vitória do partido, ele está ativamente envolvido na elaboração de um programa econômico com os aliados. Singh, que acredita na globalização "com cara humana", diz que a prosperidade na Índia depende da reestruturação do papel do governo. "É necessário dar menos atenção para áreas em que o governo já não é muito eficiente e fazer com que o governo se envolva em áreas em que o mercado sozinho não consegue oferecer a quantidade necessária de bens que a população precisa - educação, saúde, medidas de proteção ambiental, segurança", disse ele certa vez.O mercado financeiro reagiu bem à indicação de Singh para o cargo de primeiro-ministro. Singh tem o apoio popular e é visto como o político mais correto da Índia. E a corrupção no país é um dos assuntos que mais preocupam os eleitores.

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