SIP alerta para 'sombras' sobre liberdade na região

Documento final dereunião relata 8 mortes de jornalistas e situação mais grave na Argentina, Venezuela e Equador

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

10 Março 2015 | 02h00

Oito assassinatos de jornalistas "e centenas de casos de agressão física e ações judiciais", ocorridos nos últimos seis meses, "lançam uma sombra sobre a situação da liberdade de imprensa no continente", informou o documento final da Reunião de Meio de Ano da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), encerrada ontem na Cidade do Panamá.

Ao final de três dias de discussões, das quais participaram cerca de 200 jornalistas e executivos dos meios de comunicação das Américas, as conclusões apontam três países onde a situação é mais séria. "Venezuela, Equador e Argentina perseguem o jornalismo, restringem-no com leis que estabelecem censuras ou obrigam à autocensura", resumiu o presidente da entidade, o peruano Gustavo Mohme.

Em seus dez parágrafos, o documento final, síntese de 21 relatórios nacionais debatidos no sábado e no domingo, traça um panorama preocupante no qual se somam "a censura, a perseguição tributária às empresas de comunicação, a ocupação oficial dos espaços de rádio e televisão e a falta de acesso à informação pública" em muitos dos 32 países membros da SIP.

A ONG venezuelana Instituto Prensa y Sociedad (Ipys), que monitora a liberdade de imprensa no país, publicou ontem um estudo sobre a compra de meios de comunicação críticos ao chavismo por aliados do governo e a censura imposta a essas publicações. O levantamento indica que 25 empresas de comunicação foram compradas nessas condições nos últimos cinco anos.

Brasil. O relatório do Brasil, preparado pela Associação Nacional de Jornais, informou no sábado que "a situação melhorou" no Brasil - pela primeira vez, em anos, não foi registrado nenhum caso de morte no período de seis meses. O texto menciona, também, "uma importante diminuição nos casos de outros ataques à imprensa no País".

A próxima assembleia da SIP - que reúne em torno de 1.300 publicações do continente - ocorrerá em outubro, no México ou em El Salvador.

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