SIP critica governo do México por mortes de jornalistas

Repórter que denunciava crimes do narcotráfico perto da fronteira com os Estados Unidos

Agência Estado

26 Setembro 2011 | 19h28

MIAMI - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) disse nesta segunda-feira, 26, que o governo do presidente do México, Felipe Calderón, não tem vontade política para terminar com a violência contra os jornalistas mexicanos.

 

A entidade emitiu o comunicado após as autoridades terem descoberto no sábado o corpo esquartejado e decapitado da jornalista María Elizabeth Macías Castro, identificado como o cadáver de uma jornalista do diário Primera Hora, de Nuevo Laredo, cidade na fronteira com os Estados Unidos, no Estado de Tamaulipas.

 

"É totalmente inaceitável que o governo não tenha a vontade política necessária para implantar as reformas" para que os crimes contra jornalistas sejam tratados como crimes federais, disse o presidente da Sociedade Interamericana, Gonzalo Marroquín, em comunicado.

 

María, de 39 anos, foi sequestrada na sexta-feira e o corpo esquartejado da jornalista foi encontrado no sábado em uma praça de Nuevo Laredo. Ela denunciava crimes do narcotráfico na região. Juntos aos restos mortais da jornalista foram deixados um microcomputador, um mouse, cabos, um megafone e uma mensagem na qual estava escrito: "Aqui estou pelas minhas reportagens...para os que não acreditam, isso aconteceu por minhas ações". A mensagem estava assinada por "A Menina de Laredo", seguida das letras "ZZZZ", o que vincula o assassinato da jornalista ao cartel do narcotráfico Los Zetas, que atua na região de Nuevo Laredo.

 

"A Menina de Laredo" era um pseudônimo que a jornalista usava para assinar reportagens que denunciavam crimes. Além de Macías, em 2011 foram assinados mais 8 jornalistas no México, e um está desaparecido. As informações são da Associated Press.

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